29.3 C
Rio Branco
29 junho 2022 10:50 am
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Região onde jornalista e servidor desapareceram sofre com caçadores e ataques armados

Postos de controle da Funai foram alvos de repetidos atentados nos últimos anos; fiscalização frágil e fauna abundante estimulam caçadores ilegais a invadir território

POR G1

Terra Indígena Vale do Javari, onde o jornalista britânico Dom Phillips e o servidor da Funai Bruno Araújo Pereira estiveram antes de desaparecerem no domingo (05/06), sofre há anos com ataques armados a postos de controle da Funai e invasões de caçadores ilegais.

Phillips e Pereira passaram alguns dias na região, onde Phillips entrevistou indígenas sobre as invasões ao território. Eles desapareceu quando estavam fora da terra indígena e voltavam de barco pelo rio Itaquaí até a cidade de Atalaia do Norte (AM).

Indígenas dizem que a dupla sofreu ameaças durante os trabalhos. Autoridades federais afirmaram que vão realizar buscas na região.

A Terra Indígena Vale do Javari, que abriga o maior número de etnias em isolamento voluntário no Brasil, vive há vários anos um conflito entre caçadores ilegais e indígenas.

Entre novembro de 2018 e setembro de 2019, um posto da Funai que busca controlar o acesso ao território foi alvo de oito ataques armados.

As agressões são atribuídas a pescadores e caçadores ilegais, que teriam alvejado o posto após terem entrado no território indígena sem autorização.

Na época, a BBC entrevistou servidores e colaboradores locais da Funai, que ameaçaram paralisar os trabalhos por falta de segurança e cobraram órgãos federais a agir.

A base atacada é principal porta de entrada para o Vale do Javari, área procurada pelos caçadores ilegais por causa de sua rica fauna.

Na época, servidores e colaboradores da Funai enviaram ofícios à entidade pedindo o apoio permanente da Polícia Federal, do Exército ou Força Nacional para manter as atividades.

Também em 2019, um pescador foi baleado próximo de uma das aldeias do povo Korubo, dentro da terra indígena. O revide veio duas semanas depois, quando dois adolescentes dessa etnia foram atacados por pescadores.

Ataques a tiros

Em novembro de 2019, oito homens em um canoão (canoa de 12 metros usada pelos pescadores e caçadores) dispararam na base da Funai quando um colaborador indígena apontou o holofote para a embarcação, procedimento usado para iniciar a averiguação.

Dois dias depois, outros três homens usaram o mesmo modus operandi: atirar contra a base ao menor sinal de reação. Ninguém ficou ferido.

Após os ataques, o então presidente substituto da Funai Alcir Teixeira esteve na região e conversou com os funcionários.

As suspeitas

Investigações às quais a BBC teve acesso na época apontavam que os ataques partiam de pescadores e caçadores ilegais de Atalaia do Norte (AM) financiados sobretudo por grupos de contrabandistas de animais de Tabatinga (AM) e Benjamin Constant (AM), as duas maiores cidades da região, a 1.100 quilômetros de Manaus. Os animais são vendidos para compradores brasileiros, peruanos e colombianos.

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.