Dinho Ouro Preto fala de emoção com 40 anos do Capital Inicial, no Rock in Rio

Dinho Ouro Preto fala de emoção com 40 anos do Capital Inicial, no Rock in Rio
Dinho Ouro Preto, em show do Capital Inicial, no Rock in Rio 2022 Marcelo Theobald/Agência O Globo

Em janeiro de 1985, Dinho Ouro Preto já tinha trocado Brasília por São Paulo – ele nasceu em 1964 em Curitiba e passou a infância e a adolescência entre a capital federal e cidades no exterior, por conta da carreira do pai, diplomata –, mas não deu para vir ao Rock in Rio.

– Eu me lembro que alguns amigos de Brasília foram, talvez o Renato (Russo), mas eu não tinha grana, estava pagando aluguel aqui em São Paulo – diz o cantor do Capital Inicial, que logo começaria uma longa relação com o festival. – Em 1991, as bandas nacionais ainda eram tratadas de forma diferente, por isso alguns acabaram cancelando (como Barão Vermelho e Gilberto Gil). A gente se sentia meio como um side show, não exatamente parte da festa.

Já com quatro discos lançados e sucessos como “Música urbana”, “Independência” e “Belos e malditos”, o Capital se apresentou na noite de 26 de janeiro de 1991 no Maracanã, em uma jornada que contou também com A-ha, Debbie Gibson, Happy Mondays, Information Society, Nenhum de Nós e Paulo Ricardo, entre nomes escalados originalmente e remanejados.

Dado o pontapé inicial, Capital e Rock in Rio engataram um namoro firme a partir de 2001, na volta do festival à Cidade do Rock original.

– Eu fiquei fora da banda por cinco anos, de 1993 a 1998 – lembra ele. – Voltamos com o disco “Atrás dos olhos”, começamos a reaparecer, de forma ainda tímida, até que gravamos o “Acústico MTV” (2000), e atingimos um patamar de sucesso inédito na história da banda.

Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, em show no Rock in Rio 2022 — Foto: Marcelo Theobald/Agência O Globo

Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, em show no Rock in Rio 2022 — Foto: Marcelo Theobald/Agência O Globo

Com violões e canções como “Primeiros erros”, de Kiko Zambianchi (que acompanhava a banda nos shows), “Leve desespero” e “O passageiro”, versão para “The passenger”, de Iggy Pop, o Capital foi angariando popularidade a ponto de ser escalado no festival, na noite de encerramento (também ajudou o cancelamento de bandas brasileiras como O Rappa, Raimundos e Charlie Brown Jr, insatisfeitas com as condições de trabalho).

– Viajamos o Brasil inteiro com o show acústico, tocando sentados, igualzinho ao especial da MTV – conta ele. – Estávamos no Maranhão quando vimos, pela TV, o episódio do Brown (o cantor baiano foi hostilizado por parte do público ao se apresentar em uma noite mais roqueira, que tinha o Guns N’ Roses como atração principal). Sentimos a pressão. A nossa noite era a dos Red Hot Chili Peppers, Silverchair, Deftones, bandas mais pesadas, bem diferentes do show acústico que vínhamos fazendo.

Ao chegar ao Rio, a banda realizou um ensaio em que o guitarrista Loro Jones trocava o violão pela guitarra e a banda tocava em pé, numa ligeira eletrificação do “Acústico”. Para aumentar o nervosismo, o baterista Fê Lemos fechou a porta da van em cima do próprio dedão, e um visitante inesperado apareceu no camarim.

– Aquele maluco do Thomas Green Morton (uma espécie de guru das estrelas), sei lá como ele conseguiu entrar – lembra Dinho, às gargalhadas, 21 anos depois. – Tudo parecia um filme do Fellini, eu tentando me acalmar, ficava repetindo os números para mim mesmo. Já tínhamos vendido 350 mil cópias do “Acústico”. Pensei: “Se não for agora, quando será?”.

Pois foi. As cercas de 250 mil pessoas presentes cantaram “Primeiros erros”, “Natasha”, “Tudo que vai” e outros sucessos com o Capital, e o Rock in Rio serviu como plataforma para a volta da banda ao panteão das mais populares do rock nacional, onde ela está até hoje, quando festeja 40 anos de carreira. O primeiro show da turnê comemorativa será no dia 9 de setembro no Rock in Rio, uma noita pintada de tintas punks (suaves, como as do próprio Capital), com Green Day, Billy Idol e Fall Out Boy completando o elenco do Palco Mundo. A banda marca as quatro décadas com o disco ao vivo “Capital Inicial 4.0”, em que toca sucessos e lados B ao lado de convidados como Pitty, Samuel Rosa e as jovens Marina Sena e Ana Gabriela. A ideia original era regravar o “Acústico MTV”, um dos mais bem-sucedidos da série – e que não estava nas plataformas de streaming até pouco tempo atrás –, mas a pandemia frustrou os planos, e 2022 chegou. Além de mais um Rock in Rio.

– De 1991 para cá, só não tocamos no festival de 2015, quando a Marisinha (Menezes, produtora do festival e responsável pela curadoria das bandas nacionais do Palco Mundo) me chamou para organizar um tributo ao rock nacional, que completava 30 anos. Ah! Tocamos em Lisboa também, em 2014, na noite seguinte aos Rolling Stones! Imagina isso, cara!

Ele, obviamente, não questiona a regularidade de sua banda no evento (segundo a produção, o Capital faz parte da “família” de artistas do festival, além de ter sido selecionado pelos próprios Chili Peppers em 2011, o que o tornou obrigatório em todas as apresentações da banda californiana no festival).

– Tenho que me acostumar com a ideia de um dia não cantar no Rock in Rio – diz. – Mas espero que demore bastante. Eu me divirto demais, é uma catarse, uma comunhão. O festival é muito maior do que todas as bandas. Eu só agradeço.

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