Vale a pena ler este artigo: “O Qatar e as pĂ©rolas que a Fifa finge desconhecer”

Por DOMINGOS SÁVIO, PARA CONTILNET 20/11/2022 às 05:43 Atualizado: hå 3 anos

Conhecido atĂ© pouco tempo atrĂĄs por sua produção de pĂ©rolas e indĂșstria marinha, o paĂ­s que sedia a Copa, o Qatar, nĂŁo surpreendeu o mundo apenas por subitamente proibir o consumo de cerveja ao redor dos estĂĄdios de futebol. Na realidade, as pĂ©rolas da histĂłria do Qatar sĂŁo produzidas em nĂ­vel bem mais profundo e faria tremer atĂ© mesmo a Europa medieval (incluindo atĂ© mesmo a conhecida Inquisição e seu festival de horrores).

Na realidade, o país da Copa traz em seu currículo- segundo amplamente denunciado pela imprensa internacional- a nada invejåvel fama de violador dos direitos humanos (incluindo trabalhistas) e perseguidor de qualquer movimento oposicionista que se atreva a discordar de sua petromonarquia absolutista que insiste em pousar à comunidade internacional como constitucional e legalista. Sem falar da submissão desumana que a mulher local é submetida ou å condenação oficial à morte da comunidade LGBTQI+. Aliås, neste país persiste, ainda que não oficial, o Instituto da Kafala, que determina que a troca de emprego só é possível(pasmem) quando o patrão atual assina uma recomendação autorizando a mudança.

Só para lembrar, a Anistia Internacional solicitou à Fifa uma indenização de pelo menos US$ 440 milhÔes, aos trabalhadores estrangeiros que passaram por violaçÔes trabalhistas no Qatar na construção dos prédios suntuosos que acolherão os jogadores de futebol. Estima-se ,conforme matéria publicada pelo repórter investigativo Yan Boechat, da Band, pelo menos 6 mil nepaleses morreram em virtude de condiçÔes subumanas de trabalho para erguer os prédios que hoje encantam o mundo.

Sacrifício cruel (perdão pela possível redundùncia) de pobres homens que se aventuraram no Qatar em busca da melhora de condiçÔes de vida, a sonhada recompensa que viesse assegurar o envio de dinheiro para os seus que ficaram penando no país de origem.

NĂŁo precisa ser nenhum especialista para afirmar – sem medo de erro- que trata-se de um levantamento eivado pela subnotificação jĂĄ que se baseia em denĂșncias de famĂ­lias miserĂĄveis (e ignorantes) do distante Nepal do Everest. sem esquecer a mĂŁo-de-obra barata-e esquecida- vinda da Índia, PaquistĂŁo, Bangladesh e arredores, cujas vĂ­timas (muitas fatais ou que carregam danos irreparĂĄveis) devem se somar a milhares e certamente serĂŁo esquecidas na primeira celebração de gol vindo de atletas, via de regra, muito pouco inclinados a preocupaçÔes sociais desde que seus polpudos salĂĄrios (de preferĂȘncia em dĂłlares ou euros) sejam depositados religiosamente em seguros paraĂ­sos fiscais, longe de qualquer sanha tributĂĄria.

A tudo isto, o mundo em geral – e em particular a “PĂĄtria de chuteiras”- assiste a tudo em solene indiferença, numa mudez que assusta e entristece. Uma maioria estranhamente silenciosa, muitas vezes refestelada em confortĂĄveis poltronas ou enlouquecidos nas ruas, ĂĄvidos pela sensação de pertencimento de mergulhar na multidĂŁo em abraços frenĂ©ticos ao ver e rede adversĂĄria balançar.

O homem e sua humanidade

Felizmente a raça humana conta com algumas exceçÔes que ressaltam o mais espontĂąneo e valioso de sua humanidade, em lugar da aceitação (e cumplicidade) das atrocidades cometidas. É o caso da Igreja alemĂŁ(isto mesmo, com I maiĂșsculo) que promove uma campanha, relançada pela religiosa beneditina e ativista IrmĂŁ Mary John Mananzan (uma respeitada educadora e teĂłloga) que lembra que a violĂȘncia tambĂ©m atinge as colaboradoras domĂ©sticas, exploradas ou abusadas por seus patrĂ”es. Por isto mesmo ela lançou, com o aval da Igreja alemĂŁ, a campanha “CartĂŁo vermelho ao Qatar por falta de respeito aos direitos humanos e exploração de trabalhadores migrante”. Nada mais oportuno para um evento realizado num paĂ­s polĂȘmico e controverso, como afirmam os promotores da campanha.

AlĂ©m disto, ressalte-se, muitos paĂ­ses europeus e seleçÔes vĂŁo levar em frente protestos e boicotes Ă  Copa do Mundo no paĂ­s asiĂĄtico. Segundo o colunista Jamil Chade, a Hummel, fornecedora dos materiais esportivos, disse que a seleção da Dinamarca vai fazer uso camisetas em referĂȘncia Ă s violaçÔes de direitos humanos no paĂ­s asiĂĄtico. Ufa, sinais de resistĂȘncia e alerta vindos de legĂ­timos representantes da civilização ocidental e livre que vem a pĂșblico denunciar os desmandos . Aos que insistem em desconhecer e ignorar todas estas evidĂȘncias como o presidente da Fifa, Gianni Fantino, que acusou a Europa de descriminar o Qatar com tantas denĂșncias, digo a plenos pulmĂ”es: VAI TE CATAR.

Domingos SĂĄvio, jornalista(MTB/AC nÂș 161)

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