17 de junho de 2024

Acre já desmatou 320 km² de área protegida em 2023 e tem 3 reservas entre as mais destruídas do país

Responsável por 8% do desmatamento na região, no Acre, ainda houve uma redução considerável se comparado com o mesmo período do ano anterior

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou nesta sexta-feira (17) mais um boletim mensal com dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), sobre o desmatamento de áreas protegidas na Amazônia Legal. No Acre, já é registrado um acúmulo de 320 km² nos primeiros 10 meses de 2023.

Dados foram apresentados nesta sexta (17) pelo Instituto Amazon/Reprodução

Para se ter uma ideia, entre as 10 reservas ambientais que mais houve desmatamento no país, 3 são do Acre. Entre elas, a líder no ranking, a Reserva Chico Mendes, que perdeu o equivalente a 200 campos de futebol. As outras duas foram: florestas estaduais do Antimary e do Rio Gregório, cada uma com uma perda estimada em 100 campos de futebol de vegetação.

Mesmo sendo responsável por 8% do desmatamento na região, ainda houve uma redução considerável se comparado com o mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e outubro de 2023, o Acre desmatou 320 km² em áreas protegidas. Nos 10 primeiros meses de 2022, foram 813 km², ou seja, uma redução de 61%.

O Governo Lula já havia divulgado uma redução nos índices de desmatamento no estado, durante uma coletiva com a ministra Marina Silva concedida na semana passada. A equipe informou que dos nove estados da Amazônia Legal, seis deles tiveram redução do desmatamento entre 2022 e 2023, sendo os maiores valores em Rondônia (-41,01%), Amazonas (-40,13%) e Acre (-28,93%). Mato Grosso, Roraima e Maranhão tiveram aumento do desmatamento de 8,25%, 6,45% e 5,17%, respectivamente.

Melhor redução desde 2019

Comparado com a última atualização, a queda foi de 22,3%. Na edição anterior, a área desmatada na Amazônia Brasileira foi de 11.594 km², entre agosto de 2021 e julho de 2022. Divulgada anualmente desde 1988, a taxa é medida sempre de agosto de um ano a julho do ano seguinte. O resultado de 2023, portanto, concentra cinco meses do governo anterior (agosto a dezembro de 2022), e sete da atual gestão (janeiro a julho de 2023).

Derrubadas no Acre. Foto: Juan Diaz/ContilNet

Levando em consideração apenas os 9 primeiros meses de 2023, ou seja, apenas o período do governo Lula, a queda foi de 49,7%, comparando o mesmo período no ano anterior.

Reserva Chico Mendes

Embora tenha registrado uma queda significativa em um ano, o debate sobre o problema do desmatamento na Reserva Chico Mendes precisa ser ampliado. A Resex foi criada em 1990 na esteira das lutas de Chico Mendes e outros líderes sindicais, a reserva hoje tem, além das atividades extrativistas de borracha e castanha, criações de gado e pequenas roças. Ela atualmente é o epicentro do desmatamento no Acre.

O problema já foi identificado pelo presidente do ICMBio, órgão responsável pela Resex, que chegou a denunciar o desmatamento na região dias após assumir o cargo.

Vista aérea da Reserva Chico Mendes, no Acre/Reprodução

“Às vezes, a gente olha para o desmatamento como único indicador, e não é bem assim. Em alguns lugares, o desmatamento é o fator mais crítico, mas em outros é o declínio dos recursos naturais, da biodiversidade, da espécie A, B ou C. Aí vão dizer que na Reserva Extrativista Chico Mendes [no Acre] tem um desmatamento muito grande, é verdade. Ali é um caso que nos preocupa bastante, porque o desmatamento se expandiu [nos últimos anos]. Mas quando se analisa por que expandiu, constata-se que localmente há uma campanha midiática contra as unidades de conservação e o aliciamento de populações [extrativistas] para atividades predatórias. Chega uma pessoa pedindo para criar gado na reserva em troca de dinheiro, e o morador, como está sem opção, já que não houve investimento naquela unidade de conservação, acaba bastante vulnerável”, disse Mauro em entrevista à Pública.

Como surge a Resex Chico Mendes

Em março de 1990, o governo criou a Reserva Extrativista Chico Mendes, cobrindo 970 mil hectares, distribuídos por Xapuri e seis outros municípios do Acre.

Enquanto a floresta dentro da área protegida foi preservada, os arredores sofreram com o desmatamento. Hoje, mais de três décadas depois da morte de Chico Mendes, a Resex é cercada por grandes fazendas de gado que exercem forte pressão sobre ela.

Com a economia extrativista passando por altos e baixos, a maioria dos residentes optou por fazer da criação de gado sua primeira fonte de renda. O plano de uso da Unidade de Conservação, contudo, proíbe a pecuária como atividade principal, limitando a criação de animais a uma área de 15 hectares, e apenas para a subsistência das famílias.

O avanço do gado dentro da reserva é o principal motor do desmatamento, causando a perda de mais de 6% de sua cobertura florestal original. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Resex Chico Mendes registrou, entre agosto e a primeira quinzena de outubro de 2019, 804 dos 2.936 focos de queimadas detectados em todas as Unidades de Conservação federais da Amazônia Legal. Esses números superam até os detectados em unidades localizadas no Pará, estado conhecido por liderar o ranking de destruição da Amazônia.

O sistema Prodes do INPE também indica um acúmulo de 167 km2 de floresta desmatada nos últimos 10 anos dentro da reserva, com picos observados em 2016, 2018 e, principalmente, em 2019: 29 km2, 24 km2 e 74 km2, respectivamente.

Com informações da WWF Brasil, no programa RESERVA EXTRATIVISTA CHICO MENDES NO FOCO

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