28 de maio de 2024

Dia do Arquiteto: conheça mãe e filha colegas de profissão e responsáveis por grandes obras no Acre

O dia 15 de dezembro é marcado pelo Dia do Arquiteto, que homenageia os profissionais desta área

O Dia do Arquiteto e Urbanista é comemorado anualmente no dia 15 de dezembro no Brasil. A data foi instituída pela Lei nº 13.627, de 16 de janeiro de 2018, e homenageia os profissionais responsáveis por pensar e projetar o plano e design de uma construção. O ContilNet conversou com as arquitetas Regina e Daniela Kipper, mãe e filha, responsáveis por grandes projetos em Rio Branco.

No início da década de 70, Regina e Claudio Kipper chegaram em Rio Branco, sendo um dos primeiros profissionais da arquitetura a trabalhar na capital acreana. Após alguns anos, nasceu Daniela, que cresceu inserida no universo da arquitetura e decidiu seguir a profissão dos pais.

Daniela e Regina Kipper são arquitetas com atuação no Acre/Foto: Cedida

“Quando eu tinha 13 anos, eu decidi que queria ser arquiteta. Aos 14 anos, falei para minha mãe que queria ir estudar fora para poder fazer um bom curso. Embora ela fosse contra, ela teve que deixar porque eu estava muito decidida e era uma vontade muito grande. Fui para o Rio de Janeiro fazer o ensino médio e estudei na Universidade Federal Fluminense”, explicou Daniela ao ContilNet, que voltou ao Acre após se formar em 1999.

Carioca e acreana de coração, Daniela disse que a profissão dos pais não influenciou a escolha dela oficialmente, pois o assunto nunca foi levado para dentro de casa, mas hoje entende que crescer em um ambiente com dois arquitetos foi uma grande influência. 

Daniela é formada em arquitetura em 1999/Foto: Cedida

Daniela disse ainda que teve a oportunidade de trabalhar em alguns cargos públicos mas logo migrou para o empreendedorismo com o escritório de arquitetura e acabou puxando a mãe para esse trabalho. Quando ainda estava como funcionária pública e à frente de alguns projetos para a cidade de Rio Branco, Daniela projetou a urbanização do bairro Mocinha Magalhães.

Trabalho em conjunto

Regina e Daniela trabalham juntas no escritório de arquitetura, mas Daniela conta que tem perfis diferentes por conta da geração. “Eu sou de uma geração que já pensava em estruturar escritório, que sabia elaborar contrato, que trabalhava com planilha, especialização com detalhamento. Já a minha mãe é daquela época que arquiteto fazia contrato de boca, tudo feito à mão, na prancheta. Eu acho que a gente somou muito porque o meu empreendedorismo com um conhecimento dela que era muito mais denso, uma formação muito mais integralista”, explica. Alguns projetos conhecidos na cidade são de autoria de Regina, com ajuda de Daniela, como o projeto da nova sede do Sebrae, na Avenida Ceará.

Sede no Sebrae na Avenida Ceará/Foto: Cedida

“Não é fácil trabalhar com família, fazer ela me perceber como uma outra pessoa que não é a filha, mas de repente eu acho que até que isso me fez muito bem como profissional, uma vez que eu tive que marcar espaço. A gente fez uma parceria boa, apesar de que acontece com toda profissão, cada um ter um perfil e uma personalidade. É uma coisa que define muito o tipo de projeto e de cliente. Eu diria que a gente se completa justamente pelos nossos pontos fortes que são em áreas diferentes”, explica.

Daniela lembrou um dos projetos mais marcantes, que foi a loja de roupa Indie, pois o prédio era um galpão e foi feita uma reforma. “A cliente tinha claro o que ela queria, então foi muito bacana trabalhar pela primeira vez com um briefing tão claro, porque quando o cliente sabe o que quer, a gente consegue trabalhar exatamente como o cliente quer. Ele fala e a gente traduz”, explica.

Regina, formada em arquitetura em 1969, foi a primeira mulher arquiteta na capital acreana e chegou no Acre no início da década de 70, junto com o marido, o também arquiteto Claudio Gastão Kipper, que foi o segundo arquiteto a chegar em Rio Branco. “Eu vim fazer uma obra e passar cinco anos e na verdade, acabei ficando. Meu marido também é arquiteto e foi aparecendo serviços. Se hoje me perguntar se eu sou acreana, eu digo que sou ‘acreoca’, porque sou carioca que tem mais tempo de Acre do que de Rio de Janeiro. Eu digo sempre que Deus me fez carioca, e o Acre me fez acreana”, disse.

Claudio e Regina Kipper foram um dos primeiros arquitetos a chegar em Rio Branco/Foto: Cedida

A arquiteta já recebeu Título de Cidadão Rio-branquense pela Câmara de Vereadores e seguiu trabalhando no Acre com o marido. “Nós montamos uma construtora, trabalhamos bastante, trabalhei em Rondônia e aqui no Acre. Depois eu fui secretária por três mandatos de secretária de Obras e de Planejamento de Rio Branco, mas nunca deixei a prancheta. Tive oportunidade de participar do planejamento Urbano, meu marido fez o plano diretor e eu ajudei a implantar”, contou.

Regina Kipper é carioca e formada em arquitetura em 1969/Foto: Cedida

A mãe disse ainda que não sabe se a sua escolha, de fato, influenciou a escolha da profissão de Daniela, mas relembrou que a filha sempre foi muito criativa e observadora, características essas muito importantes para a arquitetura, segundo ela. “Ela saiu daqui para fazer o segundo grau no Rio de Janeiro e nós nunca falamos qual profissão ela iria seguir. Ela decidiu que faria arquitetura e eu realmente acho que ela é uma boa profissional. A atuação dela está aí para quem quiser ver. Eu acho que realmente ela é uma pessoa talentosa é observadora criativa”, disse, ao elogiar a filha e colega de profissão.

Regina contou que tem uma prática no escritório de trocar ideias e aponta a importância de ter um comportamento profissional. “A gente critica, elogia, acrescenta e é muito bom. Eu gosto muito de trabalhar com ela e eu acho que a gente, naturalmente pela vocação, nos complementamos”, disse.

A arquiteta relembrou alguns projetos marcantes em sua carreira, como a Cidade da Justiça, o prédio da Caixa Econômica Federal, na Avenida Brasil, e uma obra que está em andamento, assinada por Regina e Daniela Kipper, na Avenida Antônio da Rocha Viana.

Alpha Mall, projeto de Regina e Daniela/Foto: Cedida

Questionada como é trabalhar com Daniela tendo uma relação de mãe e filha, Regina disse que é muito tranquilo. “A gente se trata como profissional. Ela tem a clientela e a sala dela, e eu tenho a minha. É uma conduta bastante profissional, porque se não for assim, não dá certo”, finalizou.

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