Como Miguel Neto, Geraldo Leite, outro cantor da boemia acreana, morreu numa manhã de domingo

Artista xapuriense morreu em agosto de 2008 após animar serestas, carnavais e fstivais em Rio Branco desde os anos 70

A morte do cantor e músico de Sena Madureira Miguel Neto, falecido no último domingo (7), aos 55 anos, fez lembrar a morte, também num domingo, de outro artista acreano não menos grandioso, o xapuriense Geraldo Leite de Paula, que por anos também encantou e embalou os bailes da vida na capital acreana que ele, como Miguel, também tanto amou. Dono de uma voz marcante, grave mas suave, cantava boleros, forrós e outros ritmos que faziam dançar até mesmo os mais sisudos e empedernidos dos seres.

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Miguel Neto foi responsável pelas grandes noites de música em Sena Madureira/Foto: arquivo

“Na antiga Saudosa Maloca, quando ele cantava, não ficava ninguém sentado. Todos iam para o salão dançar. Até os tímidos”, resume o radialista e jornalista Raimundo Fernandes, um dos antigos dançarinos do lugar. “Faz muita falta a voz daquele xapuriense humilde e talentoso”, avalia o dançarino e admirador do cantor.

Uma das músicas que o cantor mais gostava de cantar, segundo pessoas próximas, era “O mundo foi dos dois”, letra de Eduardo Franco e Elízio Moura. “Outra vez, voltamos a encontrar-nos/ Outra vez, estamos abraçados…/ Como a primeira vez, acariciei tua pele/ Juntamos com carinho a Terra com o Céu/ Senti aquele amor progfundo/ E, por um instante, o mundo foi dos dois…” , diz um trecho da letra que a voz do artista imortalizou.

Mas ele também registrou várias outras canções, em vários ritmos, inclusive de Carnaval.

Funcionário público da Câmara Municipal de Rio Branco, Geraldo Leite subia aos palcos quase sempre em festivais ou nos finais de semana. Cantava desde os 14 anos e começou a vida artística em Xapuri, cidade onde nasceu, em 1954. Começou a cantar no conjunto “Os Siderais”, lá mesmo em Xapuri. Em 1972, no aniversário dos dez anos de elevação do antigo território do Acre à condição de Estado, ganhou o primeiro e terceiro lugares num concurso de música, patrocinado pelo Governo do Estado.

Geraldo Leite/Foto: Reprodução

Definitivamente descoberto, veio para Rio Branco integrar o conjunto “Os Mugs”, onde permaneceu até 1976. Em 1977, passou a integrar “Os Bárbaros” e, em 1978, voltou para Os Mugs. Em paralelo, também participou do conjunto Face a Face.

Em 1982 passou a integrar a Banda Tropical. Antes, em 1980, ganhou o Festival de Música Acreana, o Famp daquele ano, com a melhor música. Em 1983, repetiu o feito como melhor intérprete. Em 1984, participou do Projeto Pixinguinha, no quadro “Janela para Os Novos”.

Em 1985, participou da XV Expoacre, no quadro Valores da Terra. Foi ainda cantor do Conjunto Guimarães, pontificando por anos como o principal cntordo Saudosa Maloca. Em 1986, gravou seu primeiro LP. Em 2005, com apoio da Lei de Incentivo à Cultura, realizou seu primeiro trabalho em CD.

Além de seresteiro, Geraldo Leite também era carnavalesco. Costumava abrir as quadras carnavalescas soltando o vozeirão, com marchinhas e sambas-enredo.

Geraldo Leite era filho do ex-vice-governador Oar Sabino de Paula, mas fora criado por um tio, já que, conta-se à boca pequena em Xapuri, era fruto de um relacionamento proibido e confuso entre um casal de primos legítimos.

O artista fruto de uma relação proibida era o preferido entre casais de enamorados para animar suas festas e casamentos. O próprio cantor dizia não saber ao certos em quantos casamentos cantou em Rio Branco.

Morreu em 17 de agosto de 2008, aos 53 anos de idade, de câncer. Era um domingo, que deveria constar no calendário da vida como um dia impróprio para um artista morrer.

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