17 de abril de 2024

Salões de beleza e R$ 1 milhão em casa: quem é a Japa do PCC

Karen de Moura Tanaka Mori é viúva de Cabelo Duro, antigo líder da facção criminosa; ela foi presa na quinta-feira em sua casa na zona leste

Reprodução/TV Bandeirantes

Karen de Moura Tanaka Mori, a Japa, de 37 anos, presa nessa quinta-feira (8/2) em São Paulo, é apontada pela Polícia Civil como um importante membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista e na capital. Ela atuava sobretudo na lavagem de dinheiro da facção.

Japa é viúva de Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, executado durante guerra interna da facção criminosa em 2018. Após a morte dele, segundo a polícia, ela teria assumido os negócios do marido.

De acordo com as investigações, Japa atuava em Santos, Cubatão e Guarujá, no litoral paulista, e na cidade de São Paulo. Para lavar dinheiro da facção, ela usaria comércios na área de beleza, imóveis e uma empresa do seu irmão. O pai dela também é suspeito de participar do esquema.

A investigação que levou à prisão da viúva de Cabelo Duro começou em junho de 2023, em Praia Grande. Ela foi pega em sua casa no Tatuapé, zona leste da capital. Com ela, os policiais apreenderam mais de R$ 1 milhão, além de 50 mil dólares (R$ 250 mil).

Segundo o delegado-geral de São Paulo, Artur Dian, os investigadores chegaram até a mulher após detectar a movimentação financeira da célula do PCC. Nessa quinta, os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão na capital e em Bertioga, no litoral.

“Os relatórios de informações financeiras obtidos pela Polícia Civil indicam que a suspeita movimentava milhões de reais da facção para ocultar a origem do dinheiro oriundo do tráfico de drogas”, diz Dian.
A prisão de Japa também foi comemorada pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite. “Esta ação é parte da estratégia de asfixia financeira do crime organizado”, afirma.

A trajetória de Cabelo Duro

>Então líder do PCC na Baixada Santista, Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, de 32 anos, foi assassinado a tiros de fuzil na frente de um hotel, no Jardim Anália Franco, na zona leste de São Paulo. Era fevereiro de 2018.

A morte de Cabelo Duro é um dos episódios mais importantes da história recente do PCC. Na ocasião, ele estava envolvido em uma guerra interna da organização criminosa, marcada por traições e disputas de poder, que causou mudanças na alta cúpula e até pôs em xeque a liderança de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Investigadores afirmam que Cabelo Duro foi morto por vingança após se envolver diretamente na emboscada contra dois líderes históricos do PCC: Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca.

Homens de confiança de Marcola, Paca e Gegê eram da Sintonia Geral Final, a mais alta cúpula da facção, passavam férias no Ceará e seriam levados de helicóptero para a Bolívia, onde ficariam escondidos. A aeronave emprestada para a missão era de Cabelo Duro.

Minutos após a decolagem, o helicóptero pousou em uma clareira aberta dentro de uma reserva indígena em Aquiraz, na Grande Fortaleza. Lá, Gegê e Paca foram executados a tiros.

Gegê e Paca morreram em 15 de fevereiro de 2018. Já Cabelo Duro foi assassinado uma semana depois.

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