27 de maio de 2024

Julgamento do acusado de matar Ari Uru Eu Wau Wau tem data marcada; veja

Crime aconteceu em abril de 2020; PF não vê motivação ambiental para o crime

O guardião do maior território indígena do estado, Ari Uru Eu Wau Wau, foi encontrado morto na RO-010, em Tarilândia, distrito de Jaru, próximo da aldeia 621 onde morava. O corpo de Ari apresentava sinais de lesão contundente na região do pescoço e nenhum de autodefesa.

Ari era professor e integrava a Equipe de Vigilância Indígena que monitora invasões e extrações ilegais de madeira dentro do seu território, a Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau.

O julgamento está previsto para ocorrer no dia 15 de abril, a partir das 8h da manhã, na comarca de Jaru (RO). O réu, João Carlos da Silva, se condenado por homicídio qualificado com motivo fútil, pode ter pena imposta de 12 a 30 anos.

Ari Uru Eu Wau Wau foi morto em 17 de abril de 2020/Foto: G1

Para a Polícia Federal, que assumiu o inquérito, a morte do ativista “não tem ligação com crimes ambientais”, mas com o fato de que o réu estaria incomodado com a presença de Ari na região.

Os indígenas duvidam dessa versão e insistem que pode haver um mandante do crime. A resistência e luta da vítima para proteger seu povo e sua terra incomodava muito mais gente. O acusado não quis prestar depoimento e só deve falar em juízo.

Na hipótese criminal da Polícia Federal consta que alguém pode ter ajudado o réu no crime. Ari teria sido morto num local diferente de onde foi encontrado.

Uma campanha feita por indígenas nas redes e nas ruas será intensificada nos dias que antecedem o julgamento e o desfecho do caso deve repercutir novamente na imprensa nacional e estrangeira.

O nome do professor Ari ecoou fortemente quando foi lembrado na abertura oficial da Conferência da Cúpula do Clima (COP26) na Escócia, no discurso da ativista indígena Txai Suruí.

O indígena guardião da floresta ganhou uma pintura de 600 m² do artista Mundano, feita com terra e cinzas de queimadas na Amazônia, no centro da cidade de São Paulo.

Mural do artista Mundano, feita com as cinzas das queimadas na Amazônia. / Foto: Mídia Ninja

O assassinato de Ari também foi retratado no documentário ‘O Território’, vencedor de mais de trinta prêmios, entre eles, o Emmy 2023, que narra a luta do povo indígena Uru-Eu-Wau-Wau em defesa de seu território.

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