Após o diagnóstico e o tratamento do câncer, muitas mulheres enfrentam um impacto profundo na sexualidade e na autoestima. Os efeitos físicos e emocionais da doença e de seu tratamento frequentemente alteram a forma como a mulher se enxerga e como se relaciona com o próprio corpo.
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A educadora sexual Chris Marcello passou por um câncer de mama e destaca que um dos maiores tabus que enfrentamos é o silêncio absoluto sobre a sexualidade durante o tratamento. “Nenhum especialista aborda temas como dor na relação, secura vaginal, perda de libido, alterações hormonais ou a falta de sensibilidade nos seios, mesmo quando eles são preservados.”

A especialista ainda destaca que cerca de 70% das mulheres iniciam sua jornada de prazer justamente pelo estímulo mamário. “Ignorar essas questões como se fossem irrelevantes ou vergonhosas é apagar uma parte essencial da nossa identidade. Outro mito cruel é confundir sexualidade com sexo. A sexualidade é muito mais ampla, é afeto, é presença, é escuta, é o toque que acolhe. Durante o tratamento, esse exercício de conexão é vital para que a mulher continue se sentindo amada e desejada.”
Como reconstruir a confiança no corpo e na sexualidade
Uma das principais chaves para voltar a uma vida sexual saudável, segundo a profissional é ter um olhar amoroso para si mesma. “A reconexão pode vir por meio de práticas que nos devolvem presença, dançar, meditar, fazer yoga, tomar um banho consciente, usar cosméticos íntimos que promovem bem-estar, explorar acessórios que despertam sensações.
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O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)
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Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar
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O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono
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É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade
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No sexo, tudo é liberado desde que com total consentimento de todos os envolvidos e segurança
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“Tudo isso é parte do processo. E o diálogo com a parceria, sem pressão, sem cobrança, é essencial para criar um ambiente seguro, onde o prazer possa ser redescoberto com leveza. A confiança se reconstrói quando a mulher se permite sentir, explorar e descobrir novas formas de prazer”, acrescenta.
O papel da parceria
Chris Marcello acrescenta que é essencial que as mulheres que passam por situações como o câncer tenham apoio, mas não é o que acontece na prática. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, 70% dos homens, em relações heterossexuais, abandonam suas parceiras após o diagnóstico de câncer de mama.
“E ainda existe a crença de que o parceiro deve ‘esperar passar’, como se fosse um espectador do processo. Mas casais que enfrentam essa fase juntos, com envolvimento real, tornam o tratamento menos doloroso e mais humano. Esses mitos silenciam o desejo, isolam emocionalmente e dificultam a busca por ajuda. Precisamos falar sobre isso”, acrescenta.
