A presença feminina na advocacia já não é exceção. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), as mulheres representam 50.8% do total de profissionais inscritos no país, um marco que consolida a realidade de um mercado majoritariamente feminino. O que ainda se constrói cotidianamente, mas com profundidade, é a maneira de exercer esse papel sem abdicar da própria essência.
Durante muito tempo, a mulher que almejava reconhecimento no meio jurídico sentia-se compelida a adotar posturas que a distanciasse de sua natureza. O tom firme da voz, o traje sóbrio, o gesto contido, como se a competência dependesse da neutralização da feminilidade. Era a forma de ser “levada a sério” num ambiente que, até pouco tempo atrás, confundia autoridade com austeridade masculina.
Mas o amadurecimento da advocacia feminina revela um novo paradigma: a força não está em negar a feminilidade, mas em vivê-la com inteligência. A advogada que atua com autenticidade compreende que sua intuição, empatia e sensibilidade não são ornamentos, mas instrumentos de trabalho. Elas aprimoram a escuta, sendo cruciais, por exemplo, na mediação de conflitos familiares ou na humanização de teses complexas. Elas fortalecem a argumentação e humanizam o exercício do Direito, algo que, paradoxalmente, o excesso de técnica tende a sufocar.

Larissa Golombieski
Advogada
Não há incompatibilidade entre o salto alto e a sustentação oral, pelo contrário: há uma beleza simbólica em defender causas complexas com voz firme e olhar sereno, mantendo-se fiel à própria origem. Ser mulher na advocacia não é uma luta contra o masculino. É um convite à harmonia. É a afirmação de que há outras formas de exercer autoridade, uma autoridade baseada na competência e na coerência, e não na imposição de uma austeridade artificial. É a prova de que é possível sustentar uma tese com firmeza e, ao mesmo tempo, sorrir com doçura.
Ser fiel à essência não é recusar o progresso, mas redefinir o que é poder. É entender que o respeito não se conquista pela dureza, mas pela coerência. A plenitude da advocacia feminina está em compreender que a suavidade não é fraqueza, é estratégia. E que, em um mundo que ainda confunde ruído com força, ser equilibrada e autêntica é, talvez, o gesto mais revolucionário de todos.
“A suavidade é o disfarce mais refinado da força”, Henry Frédéric Amiel.
