Dois anos depois após o início das denúncias e investigações contra o jornalista Marcelo Castro por conta de golpes aplicados em famílias vulneráveis, o julgamento do caso foi adiado, mais uma vez, para maio do ano que vem.
Após a repercussão da mudança de data, as vítimas do comunicador, que era responsável por um quadro do Balanço Geral Bahia, da Record, em que pedia doações para ajudar pessoas com dificuldades, conversaram com o Domingo Espetacular e deram mais detalhes da ação do bando.
Mais detalhes da mudança
O motivo para o adiamento do julgamento para maio do ano que vem chamou a atenção: falta de espaço em uma sala do Tribunal de Justiça de Salvador. De acordo com a Justiça, o local não comporta as cerca de 40 pessoas que estariam presentes.
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Na sexta-feira (14/11), Marcelo Castro, que hoje apresenta o programa Alô Juca, exibido pela TV Aratu, afiliada ao SBT, chegou a tentar impedir a exibição dessa reportagem, sem sucesso.
Um dos desvios
De acordo com a matéria, Jucileide Souza de Jesus, que perdeu o filho, Miguel, de 17 anos, há 6 meses, vítima de leucodistrofia, uma doença degenerativa, foi uma das vítimas. O menino precisava de uma cadeira de rodas adaptada e topou participar da matéria com Marcelo Castro.
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Vítimas do jornalista Marcelo Castro revela detalhes do golpe do Pix
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Marcelo Castro responde judicialmente ao lado de outras 11 pessoas
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Marcelo Castro era repórter da Record na época dos crimes
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Marcelo Castro posa nos bastidores da TV
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Marcelo Castro é clicado mexendo no celular
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Marcelo Castro posa nos bastidores de seu programa do SBT
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Marcelo Castro apresenta um programa em uma afiliada do SBT
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Marcelo Castro posa com um meio sorriso para as redes sociais
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Ela contou que estranhou quando o Pix anunciado foi outro: “Antes de entrar ao vivo, ele já veio falando que iam colocar um Pix na tela que não era o meu, mas era só por questões burocráticas, pois o banco poderia bloquear quando começassem a cair as doações”, recordou.
Meses depois, foi descoberto que o repórter arrecadou R$ 45 mil em nome de Miguel, mas só repassou R$ 10 mil para a mãe: “Fui vítima de extorsão, de roubo. Me senti violada, usada. Não somente eu, mas, principalmente, meu filho”, lamentou, antes de completar: “Um bando de ladrão, uma organização criminosa, usou minha história e a doença do meu filho pra se beneficiar, pra luxar e comprar carro. E ele tá aí, como se nada tivesse acontecendo”, declarou.
Mais uma vítima
Lucileide Maria também contou como seu caso aconteceu. A matéria produzida pelo jornalista pedia ajuda para comprar um triciclo motorizado para o filho dela, Augusto Cesar, de 21 anos, que tem problemas de mobilidade devido a complicações de uma hidrocefalia.
Durante a gravação, ele insistiu que a mãe chorasse e que deixasse o filho se arrastar no chão. Ao todo, o grupo conseguiu R$ 30 mil para o rapaz, mas apenas R$ 6 mil foi repassado à família.
As investigações
O Domingo Espetacular relatou, ainda que uma investigação da Record descobriu que Marcelo Castro, o editor do programa Jamerson Birindiba e o operador Lucas Costas Santos, com a ajuda de 9 laranjas, vitimaram 12 famílias.
Segundo a apuração, o jornalista conduzia as reportagens, Jamerson autorizava a inserção de Pix de terceiros e Lucas conseguia as famílias vulneráveis e as pessoas que emprestariam as contas.
O total desviado
O esquema durou 1 ano e 5 meses. Marcelo Castro e Jamerson teriam sido os mais beneficiados com os golpes. Ao todo, a quadrilha arrecadou mais de R$ 543 mil em campanhas e desviou 75% do valor, o equivalente a R$ 407 mil.
Os dois ex-funcionários foram demitidos por justa causa e processadas pela emissora. Os repórter, o editor, o operador e os laranjas estão respondendo por apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As defesas foram procuradas pela reportagem, mas não se manifestaram.
