O Acre está entre os estados brasileiros com expectativa de enfrentar cenário epidêmico de dengue em 2026, com coeficiente de incidência projetado acima de 300 casos por 100 mil habitantes, patamar considerado epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A projeção integra um estudo nacional e internacional que estima até 1,8 milhão de casos prováveis da doença no Brasil.

Os casos de dengue devem seguir elevados em 2026/Foto: Reprodução
A estimativa considera um período de 12 meses a partir de outubro de 2025 e é resultado do InfoDengue–Mosqlimate Dengue Challenge, iniciativa que reúne os projetos InfoDengue e Mosqlimate, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Getulio Vargas (FGV). As análises indicam que o próximo ciclo deverá apresentar características epidêmicas, embora sem atingir os níveis extremos registrados em 2024.
No recorte regional, Acre e Tocantins, no Norte do país, figuram entre as unidades federativas com maior risco proporcional de casos. Apesar disso, o estudo aponta que, especificamente no Acre, a incidência projetada para 2026 tende a ser menor do que a registrada em 2025, acompanhando a tendência observada também em estados como Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Amapá.
Em âmbito nacional, as projeções indicam um número de casos inferior ao observado em 2024, quando o Brasil superou 6,5 milhões de registros prováveis e contabilizou mais de 6,3 mil mortes. O volume esperado para 2026 é semelhante ao de 2025, que acumulou cerca de 1,6 milhão de infecções e 1.761 óbitos até o início de dezembro.
Além do Acre e Tocantins, o estudo aponta expectativa de coeficiente epidêmico para Rio Grande do Norte, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, todas as unidades da Região Sul e do Centro-Oeste. Em contrapartida, estados como Santa Catarina, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Tocantins devem apresentar crescimento em relação ao ano anterior.
O levantamento reuniu 52 pesquisadores de oito países e contou com a participação de 15 equipes de pesquisa, que desenvolveram 19 modelos distintos de previsão de casos de dengue no Brasil. As projeções foram unificadas para compor o cenário final.
