Inflação deve começar 2026 perto do teto da meta; veja as projeções

A inflação oficial do Brasil começa o ano de 2026 sob os holofotes do mercado financeiro. O IBGE divulga, nesta terça-feira, o IPCA de janeiro, e a expectativa contida no Boletim Focus é de uma alta de 0,33%. Se confirmado, o indicador acumulado em 12 meses saltará para 4,42%, aproximando-se perigosamente do teto da meta estabelecido pelo Banco Central, que é de 4,50%.

Apesar do início de ano pressionado, o mercado projeta que a inflação termine 2026 em 3,97%. Economistas explicam que o pico atual se deve a um efeito estatístico: em janeiro de 2025, o índice foi atipicamente baixo (0,16%) devido ao bônus de Itaipu nas contas de energia, o que eleva a base de comparação agora.

Alimentos ainda pressionam a inflação — Foto: Guito Moreto

Trajetória da inflação nos próximos meses

De acordo com especialistas da FGV e de grandes casas de análise, o comportamento dos preços terá duas fases distintas neste primeiro semestre:

  • Fevereiro de alívio: Ao contrário de janeiro, o mês de fevereiro de 2025 teve uma taxa alta (1,31%). Ao ser substituída por um índice menor em 2026, a inflação acumulada deve recuar para a casa dos 3,3%.

  • Estabilidade no 2º semestre: A tendência é que os indicadores se acomodem entre 3,8% e 3,9% na segunda metade do ano, respondendo aos efeitos dos juros altos e da política monetária.

Riscos e variáveis: alimentos, câmbio e petróleo

Embora o cenário central seja de desaceleração gradual, economistas alertam para fatores que podem desviar a inflação da meta. A queda do petróleo para a faixa de US$ 55 e um câmbio mais comportado ajudam a segurar os preços, mas o otimismo é cauteloso.

“2026 deve responder principalmente à política monetária já implementada. Esse efeito deve ser suficiente para trazer a inflação para dentro da meta”, avalia Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay.

Por outro lado, o calendário eleitoral e possíveis gastos públicos, além de variações climáticas que afetam a produção de alimentos, seguem como os principais riscos para o índice oficial de preços. O mercado de trabalho aquecido também pode manter os serviços mais caros, exigindo atenção contínua do Banco Central.

Fonte: IBGE / O Globo

Redigido por: ContilNet

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