O Partido dos Trabalhadores pode não lançar candidato próprio ao Governo do Acre em 2026, o que, se confirmado, marcará um fato inédito desde a redemocratização. Pela primeira vez em cerca de 44 anos, desde as eleições de 1982, a sigla deve ficar fora da disputa direta pelo Palácio Rio Branco.
Ao longo de quatro décadas, o PT sempre apresentou nomes na corrida estadual. A trajetória começou em 1982, com Nilson Mourão, que não se elegeu. Em 1986, Hélio Pimenta também foi derrotado.
Em 1990, o partido alcançou seu melhor desempenho até então, quando Jorge Viana perdeu por pequena diferença para Edmundo Pinto.
Em 1994, o PT voltou a concorrer com Tião Viana, sem vitória. A primeira conquista veio em 1998, quando Jorge Viana foi eleito governador e reeleito em 2002. Em 2006, Binho Marques venceu a disputa, garantindo a continuidade da gestão petista.
A hegemonia foi mantida com as vitórias de Tião Viana em 2010 e 2014, consolidando mais de duas décadas do partido no comando do estado.
O ciclo foi interrompido em 2018, quando Marcus Alexandre perdeu a eleição para Gladson Camelí. Em 2022, Jorge Viana voltou a disputar o governo, mas também não conseguiu derrotar o atual governador.
Cenário para 2026
Para 2026, a tendência é que o PT não apresente candidato próprio e apoie uma frente de partidos do campo progressista. O nome mais citado é o do médico Thor Dantas, do Partido Socialista Brasileiro.
Em entrevista ao ContilNet, o presidente estadual do PT no Acre, vereador André Kamai, afirmou que a prioridade do partido é ampliar alianças.
“O PT entende que é hora da gente ampliar. A prioridade do PT nessa eleição é as candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, obviamente, a reeleição do presidente Lula, e a eleição do nosso ex-governador Jorge Viana ao Senado”, disse.
Segundo Kamai, o partido considera natural apoiar outra legenda na disputa pelo governo.
“A gente entende que é importante ampliar essa aliança, construindo a possibilidade de um outro partido, nesse caso o PSB, liderando a disputa para o governo. Para a gente isso não é nenhum problema. Nós já lideramos uma frente por quase 30 anos”, afirmou.
Ele destacou que o foco principal é a unidade do campo político.
“O mais importante do que o PT ser o protagonista dessa candidatura majoritária é a gente ter uma frente unificada, uma posição clara e fazer um debate de muita qualidade sobre o Acre e o futuro do estado”, declarou.
Kamai disse ainda que o partido está “tranquilo” com a possibilidade de não ter candidatura própria e segue trabalhando na construção de alianças para as eleições de 2026.


