Um levantamento detalhado do Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta que a região Norte do Brasil concentrou as maiores taxas de estupro de vulnerável em 2025. O crime, que atinge menores de 14 anos ou pessoas sem capacidade de consentimento, tornou-se o centro das discussões sobre segurança pública e proteção social na Amazônia Legal.
Roraima registrou a taxa mais alta do país, com 73,09 ocorrências por 100 mil habitantes, seguido de perto por Rondônia (70,55). Amapá, Pará e Acre completam o topo da lista, evidenciando um desafio estrutural na região Norte que supera os índices registrados em estados populosos como o Paraná e São Paulo.
Raio-X da Violência na Região Norte
Os dados mostram que a subnotificação ainda é um obstáculo, mas o aumento dos registros pode indicar maior confiança nos canais de denúncia.
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Liderança Negativa: Roraima teve 540 casos confirmados no último ano.
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Crescimento Acentuado: O Amazonas registrou uma alta de 15,45% nas ocorrências em relação ao ano anterior.
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Perfil das Vítimas: Em todo o Brasil, 86% das vítimas são do sexo feminino, e a maioria dos agressores são pessoas próximas ou familiares.
O Desafio da Notificação Compulsória
Especialistas apontam que o crime de estupro de vulnerável possui notificação compulsória pelos serviços de saúde (ECA), o que ajuda a explicar o volume de registros. Entretanto, a falta de articulação entre as polícias estaduais e o governo federal ainda compromete respostas mais eficazes.
| Estado da Região Norte | Taxa (por 100 mil hab.) | Posição Nacional |
| Roraima | 73,09 | 1º lugar |
| Rondônia | 70,55 | 2º lugar |
| Amapá | 56,91 | 3º lugar |
| Pará | 54,21 | 4º lugar |
| Acre | 51,11 | 5º lugar |
Estruturas Sociais e Impunidade
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os números da região Norte refletem desigualdades consolidadas. O aumento real da violência na esfera privada — dentro de casa — exige que o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) opere com maior integração entre assistência social, educação e repressão policial. A Polícia Civil de Roraima afirmou que o fortalecimento do acolhimento às vítimas foi fundamental para que mais casos chegassem ao conhecimento das autoridades em 2025.
Fonte: Folha de São Paulo
Redigido por: ContilNet
