As condições de trabalho enfrentadas por profissionais da enfermagem na Central de Material da Maternidade de Rio Branco, atualmente instalada no INTO, motivaram uma vistoria conjunta realizada nesta terça-feira (3) por representantes do Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas, sindicatos da categoria e pelo deputado estadual Adailton Cruz. O local é responsável pela lavagem, esterilização e preparo de materiais utilizados em partos, cirurgias e atendimentos essenciais da rede de saúde.

Condições desumanas levam deputado, MP e TCE a vistoriar Central de Material da Maternidade/Foto: Cedida
Durante a vistoria, o parlamentar classificou a situação como “extremamente preocupante” e afirmou que o ambiente é totalmente insalubre, sem condições adequadas de fluxo, segurança e garantia da qualidade do material esterilizado. Segundo Adailton Cruz, os profissionais trabalham sob calor intenso, com temperaturas que ultrapassam os 40 °C, sem condições mínimas de dignidade. Ele alertou ainda que, caso a situação não seja corrigida, será necessária a interdição do setor, o que pode gerar impactos diretos no atendimento à população. O deputado também mencionou denúncias envolvendo problemas de relacionamento interpessoal, assédio moral e truculência por parte da direção, afirmando que providências serão adotadas no âmbito parlamentar, sindical e junto aos órgãos de controle.
Leia também: TCE publica lista com aposentadorias e reservas remuneradas de servidores públicos no Acre
Uma das profissionais que atua na Central de Material relatou que, após a denúncia feita na segunda-feira (2), a gestão iniciou a instalação de aparelhos de ar-condicionado no setor. No entanto, segundo ela, a medida é paliativa e não resolve o problema estrutural. “Ontem nossas colegas estavam passando mal por causa do calor extremo. Fizemos a denúncia, o sindicato acionou as autoridades e hoje vieram instalar um ar, mas isso não resolve. A central precisa voltar para a maternidade. Do jeito que está aqui no INTO, representa risco para nós, trabalhadores, e para os pacientes”, afirmou.

A denúncia inicial foi divulgada pelo Sindicato dos Profissionais Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Enfermeiros do Estado do Acre/Foto: Cedida
A denúncia inicial foi divulgada pelo Sindicato dos Profissionais Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Enfermeiros do Estado do Acre, que aponta que os problemas se arrastam há mais de um ano e quatro meses sem solução. De acordo com o sindicato, profissionais cumprem plantões de até 24 horas em ambiente insalubre, com ar-condicionado quebrado ou inoperante por longos períodos, ausência de local adequado para descanso e risco sanitário, já que o setor lida diretamente com materiais críticos para procedimentos hospitalares.
Além das condições físicas precárias, a entidade denuncia desgaste físico e emocional da equipe e reforça que já encaminhou ofícios e pedidos formais às instâncias competentes sem retorno efetivo. O sindicato destaca que a Central de Material citada nas denúncias é a da Maternidade que funciona no INTO, e defende que o setor seja imediatamente transferido de volta para a própria maternidade, onde, segundo os profissionais, há melhores condições estruturais para garantir segurança, dignidade no trabalho e qualidade no atendimento à população.

O sindicato defende que o setor seja imediatamente transferido de volta para a própria maternidade/Foto: Cedida
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) para solicitar posicionamento sobre as denúncias e a vistoria realizada, mas, até o fechamento desta publicação, não obteve resposta.
