A mãe da modelo Eliza Samudio, Sônia Moura, voltou a se manifestar publicamente após a Justiça do Rio de Janeiro revogar o livramento condicional concedido ao ex-goleiro Bruno Fernandes de Souza, conhecido como goleiro Bruno. A decisão foi tomada pela Vara de Execuções Penais e resultou na expedição de um mandado de prisão para que ele retorne ao regime semiaberto.
Em entrevista ao jornal Extra, Sônia demonstrou indignação com a situação e afirmou sentir impotência diante do histórico envolvendo o ex-jogador.
“O Bruno pisa na cabeça da Justiça. O que ele já fez… Ele ficou três anos sem atualizar o endereço e o oficial de Justiça atrás dele por causa da pensão. Vamos ver se vão encontrar ele no endereço que deu. Vamos esperar para ver o que a Justiça vai fazer, porque a gente não pode fazer nada. Não podemos usar os mesmos meios que ele usa. Vamos pelos legais, até porque não somos mau-caráter como ele”, desabafou.
Atualmente com 41 anos, Bruno foi condenado a 23 anos de prisão pelo assassinato de Eliza Samudio, crime ocorrido em 2010 e que ganhou repercussão nacional. O caso é considerado um dos mais emblemáticos da violência contra a mulher no país.
Sônia Moura afirmou ainda esperar que a Justiça continue atuando com firmeza em casos semelhantes.
“Que a Justiça consiga olhar com mais empatia, porque nós, familiares que ficamos, estamos sequelados para sempre. Tem muita gente que não sabe a diferença entre um erro e uma pessoa que comete crime. Hoje estou um pouco mais crente que a Justiça está fazendo seu papel, como deve ser feito”, disse.
Descumprimento de regras
A revogação do livramento condicional ocorreu após o ex-goleiro descumprir condições impostas pela Justiça. No início de fevereiro, poucos dias após obter o benefício, Bruno viajou para o Acre sem autorização judicial, mesmo havendo determinação expressa de que não poderia deixar o estado do Rio de Janeiro.
No Acre, o goleiro chegou a atuar pelo Vasco Futebol Clube do Acre, tradicional equipe do futebol acreano que disputa competições nacionais como a Copa do Brasil.
Após a decisão judicial que determinou seu retorno ao regime semiaberto, Bruno apagou suas redes sociais, onde costumava publicar conteúdos sobre sua vida pessoal e carreira no futebol.
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Caso que marcou o país
O assassinato de Eliza Samudio ocorreu em 2010, antes da criação da Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015). Ainda assim, o caso contribuiu para ampliar o debate nacional sobre violência de gênero e a necessidade de mecanismos mais rígidos de proteção às mulheres.
Sônia Moura, que há anos atua na busca por justiça pela filha, também confirmou que participará de um protesto contra o aumento dos casos de feminicídio marcado para o Dia Internacional da Mulher, no próximo domingo (8), na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Ela relembrou ainda que a condenação de Bruno ocorreu em 2013, também próximo à data simbólica.
“Bruno foi julgado e condenado no Dia Internacional da Mulher. E agora recebe essa nova decisão muito perto da mesma data. Tenho que dar os parabéns para esse juiz. Achei que ele fosse ser conivente e passar a mão na cabeça dele, como vi tantas vezes”, afirmou.
As informações sobre a revogação do livramento condicional foram divulgadas inicialmente pelo blog do jornalista Ancelmo Gois, colunista do jornal O Globo.
