Integrantes da cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) avaliam que a proposta dos Estados Unidos de equiparar facções criminosas brasileiras a organizações terroristas pode representar uma tentativa de interferência do presidente Donald Trump nas eleições presidenciais deste ano no Brasil.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a ideia foi rejeitada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas conta com o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República.
No entorno do Palácio do Planalto, a avaliação é de que uma eventual ofensiva política de Trump poderia buscar fortalecer candidaturas de direita na América Latina. Além do Brasil, países como Peru e Colômbia também terão eleições neste ano.
O diálogo entre Trump e Lula, iniciado durante reuniões na Organização das Nações Unidas em setembro do ano passado, havia reduzido parte das tensões diplomáticas. No entanto, a retomada da discussão sobre classificar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas voltou a gerar desconfiança dentro do governo brasileiro.
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No domingo (8), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre possíveis parcerias entre os dois países no combate ao crime organizado.
O tema também deve fazer parte de um encontro entre Lula e Trump. A reunião estava inicialmente prevista para este mês, mas acabou adiada em meio às tensões internacionais provocadas pela guerra envolvendo o Irã.
Enquanto tenta manter o diálogo com Washington, o governo brasileiro busca evitar que facções criminosas sejam enquadradas como organizações terroristas. A avaliação no Planalto é que a medida pode abrir brechas para ações militares externas e até sanções comerciais contra o país.
O assunto já havia sido tratado diretamente entre Lula e Trump em dezembro, quando os dois discutiram formas de cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Bastidores
Nos bastidores, o governo teme que o debate seja explorado politicamente pela oposição durante a disputa eleitoral.
Em maio de 2025, o senador Flávio Bolsonaro entregou a uma comitiva americana enviada por Trump um dossiê elaborado por secretarias de segurança do Rio de Janeiro e de São Paulo que relaciona a atuação de facções criminosas ao terrorismo.
Na ocasião, técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmaram aos representantes americanos que, pela legislação brasileira, as facções não podem ser classificadas como organizações terroristas, mas sim como organizações criminosas.
Depois disso, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei Antifacção e também passou a discutir a chamada PEC da Segurança Pública. O governo utiliza essas iniciativas como argumento para reforçar que o país possui instrumentos próprios para combater o crime organizado.
Nesta segunda-feira (9), o presidente do PT, Edinho Silva, criticou publicamente a proposta dos Estados Unidos e afirmou que o Brasil não pode aceitar interferências externas.
Segundo ele, o governo Lula trabalha em cooperação com diversos países para enfrentar o crime organizado, mas defende que a soberania brasileira precisa ser preservada.
