As chamadas canetas emagrecedoras têm sido cada vez mais procuradas, inclusive por pessoas que sofrem com falta de ar. Ao ContilNet, no entanto, a pneumologista Célia Rocha informou, nesta terça-feira (7), que o uso necessita de cautela.
Ainda segundo Rocha, a caneta ajuda, mas não faz milagre. “Se não houver mudança no estilo de vida, não vai resolver”, afirma.
De acordo com a especialista, a relação entre obesidade, sedentarismo e inflamação tem impacto direto na saúde respiratória. “Pessoas com hábitos inadequados tendem a ter mais inflamação, e isso piora as crises de falta de ar, principalmente em quem já tem doenças como asma, enfisema ou fibrose pulmonar”, explica.
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Célia Rocha destaca que medicamentos como o Mounjaro podem contribuir no processo de perda de peso e, indiretamente, ajudar na redução de inflamações. Ainda assim, o efeito depende de mudanças consistentes na rotina.
“É preciso sair do sedentarismo, fazer atividade física e ter uma reeducação alimentar. Uma alimentação mais natural, sem excesso de gordura, açúcar e ultraprocessados, faz toda a diferença”, orienta.
Ela reforça que apostar apenas na medicação, sem mudar o estilo de vida, tende a gerar frustração: “Quem mantém hábitos errados não vai ter resultado duradouro”.
Uso indiscriminado traz riscos
A médica também faz um alerta sobre o uso sem prescrição e acompanhamento profissional. Segundo ela, há um crescimento preocupante da automedicação e até da venda irregular desses produtos.
“O Mounjaro não é uma droga estética. Ele foi criado para tratar diabetes tipo 2. O uso precisa ser feito com critério, avaliação e acompanhamento médico”, destaca. Entre os possíveis efeitos colaterais, ela cita problemas como pancreatite, além de sintomas como diarreia e tontura. “Cada paciente precisa de uma avaliação individual, com exames e até análise de composição corporal. A dose não pode ser definida por leigos”, alerta.
Célia Rocha também compara o uso das canetas a casos de pacientes que recorrem à cirurgia bariátrica sem mudar os hábitos. “Tem pessoas que fazem a cirurgia achando que isso resolve tudo e depois voltam a ganhar peso. Com a caneta pode acontecer o mesmo”, afirma. Segundo ela, sem mudança de comportamento, os resultados não se sustentam. “Na hora que parar de usar, o peso pode voltar”.
Por fim, a pneumologista reforça a importância da responsabilidade no cuidado com a saúde.
“Saúde é coisa séria. Pode usar? Pode. Mas com acompanhamento médico especializado e com mudança real no estilo de vida”, conclui.
