O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) completa um ano de execução do projeto “História e Memória”, uma iniciativa que vai além da organização de arquivos físicos. O programa foca na ressocialização e no amparo a mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo egressas do sistema penal e vítimas de violência doméstica, oferecendo postos de trabalho na gestão documental da Cidade da Justiça.
Atualmente, sete mulheres integram o setor, cumprindo jornada de quatro horas diárias. Elas atuam na triagem, digitalização e catalogação de processos antigos, garantindo a preservação da memória do Judiciário. Mais do que organizar papéis, as participantes organizam suas próprias trajetórias. “Isso aqui é oportunidade”, resume Ana Lídia, de 28 anos, que após três anos tentando ingressar no mercado de trabalho após o cárcere, encontrou no TJAC a chance de recomeçar.
Educação como Pilar
Um dos critérios fundamentais para integrar o projeto é a permanência nos estudos. A iniciativa busca garantir que, ao final do contrato que dura até dois anos, as mulheres tenham o Ensino Médio concluído e melhores condições de competitividade no mercado formal. Para Ana Lídia, o plano agora é o ensino superior: o sonho é cursar Pedagogia.
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A juíza auxiliar da Presidência, Zenice Cardozo, reforça que a gestão do desembargador Laudivon Nogueira prioriza as pessoas. “Cuidar da memória é também cuidar do futuro. E esse futuro começa agora, com inclusão e dignidade”, pontua a magistrada. A seleção das participantes conta com o suporte do Ceavi, do Iapen/AC e da Coordenadoria de Gestão de Memória (Cogma).
Superação de Estigmas
Para Lucilene Pereira da Silva, de 26 anos, o trabalho na Cidade da Justiça quebrou preconceitos. Ela relata que a sociedade, muitas vezes, limita as oportunidades para quem usa tornozeleira eletrônica a funções de serviços gerais. “Eu nem acredito que estou trabalhando aqui. É um sonho”, confessa.
Apesar do otimismo, o grupo compartilha uma preocupação comum: o mercado de trabalho após o encerramento do vínculo com o Tribunal. Com formatura do Ensino Médio prevista para junho, mulheres como Patrícia Lopes Brito, de 43 anos, veem no projeto a prova de que o erro cometido no passado não precisa definir o futuro. “Hoje eu estou bem. Essa daqui é uma oportunidade, é um sonho realizado”, conclui.
