O petróleo Brent, que serve de referência global, ultrapassou nesta sexta-feira (6) o patamar de US$ 92 o barril, e o WTI atingiu os US$ 89, diante da escalada da guerra no Oriente Médio que faz com que a a navegação pelo Estreito de Ormuz esteja praticamente paralisada.
A situação desencadeia uma onda de perturbações nos mercados de energia, e faz com o que o petróleo caminhe para a maior alta semanal desde 2022.
Às 14h05 (horário de Brasília), o contrato Brent de maior negociação subia 7,70%, para US$ 92 o barril. Já o preço do WTI saltava 11%, para US$ 90 o barril.
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A alta ocorre mesmo depois de o Presidente Donald Trump ter sinalizado uma “ação iminente” para reduzir a pressão sobre os preços e de o Departamento do Tesouro ter aliviado as restrições à capacidade da Índia de comprar petróleo russo.
Sem sinais de trégua nas hostilidades, o Goldman Sachs alertou para o risco de o preço do petróleo ultrapassar os US$ 100 por barril caso a interrupção se prolongue; os contratos futuros de diesel na Europa caminhavam para uma alta semanal de cerca de 50%; e os bancos centrais manifestaram preocupação com uma possível retomada da inflação. O ministro da Energia do Catar advertiu que o petróleo poderia chegar a US$ 150.
O tráfego comercial pelo Canal de Ormuz foi praticamente interrompido, segundo o Centro Conjunto de Informação Marítima (Joint Maritime Information Center), um grupo multinacional de assessoria naval. O colapso decorre de “ameaças à segurança, restrições de seguros, incerteza operacional e interrupções efetivas”, afirmou o centro.
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Os mercados de petróleo foram abalados pelo conflito, que envolveu cerca de uma dúzia de nações desde que os EUA e Israel iniciaram sua campanha em 28 de fevereiro. Com a escalada das hostilidades, a navegação pelo estreito crucial praticamente cessou, interrompendo o fornecimento de petróleo para os mercados globais e levando os produtores a reduzir a produção. Refinarias e navios-tanque foram afetados.
O ministro da Energia do Catar disse ao Financial Times que o preço do petróleo bruto poderia subir para US$ 150 o barril em duas ou três semanas, caso petroleiros e outros navios mercantes não conseguissem passar pelo Estreito de Ormuz.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à NBC News que seu país não tinha intenção de negociar e estava pronto para uma invasão terrestre, embora Trump tenha comentado posteriormente à mesma emissora que não estava considerando tal medida. O Irã lançou uma série de mísseis e drones contra países do Golfo Pérsico durante a noite, enquanto Israel renovou os ataques aéreos contra a República Islâmica.
A perspectiva de um conflito prolongado deixou o mercado em alerta. No ano passado, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados transitavam diariamente pelo Estreito de Ormuz, segundo dados da Agência Internacional de Energia. Dados de rastreamento de navios desta semana sugerem que o tráfego marítimo por essa importante via navegável entrou em colapso.
Com os importadores enfrentando dificuldades para obter petróleo bruto, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA emitiu uma isenção temporária para permitir que a Índia comprasse petróleo bruto russo. A medida “autoriza apenas transações envolvendo petróleo já retido no mar”, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Segundo fontes com conhecimento direto dos negócios, refinarias indianas já compraram mais de 10 milhões de barris de petróleo bruto russo. Grande parte dessa quantidade pode ter sido adquirida antes mesmo da isenção de um mês anunciada na última quinta-feira em Washington. A Reliance Industries Ltd., da Índia, está buscando comprar petróleo russo, afirmou uma pessoa familiarizada com o assunto.
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O Goldman Sachs alertou que uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz — que liga o Golfo Pérsico aos mercados globais e normalmente transporta cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo — poderia elevar os preços consideravelmente, embora o cenário base do banco, no momento, seja de uma recuperação gradual dos embarques e de contratos futuros com média de US$ 76 por barril no segundo trimestre.
“Digamos que tenhamos mais cinco semanas de fluxo muito baixo de petróleo pelo estreito”, disse Samantha Dart, co-chefe de pesquisa global de commodities do banco de Wall Street, à Bloomberg Television, antes da divulgação do alerta da JMIC. “É possível que vejamos os preços do Brent ultrapassarem a marca de US$ 100 por barril.”
O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, afirmou que o governo está avaliando uma série de opções para lidar com a alta nos preços do petróleo e da gasolina — que chegaram a US$ 3,32 por galão na quinta-feira, o maior valor desde 2024. “Tudo está sendo considerado”, disse Burgum, acrescentando que a lista inclui ações com impacto imediato, bem como medidas mais complexas e de longo prazo.
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Entre as possíveis decisões, está a liberação de petróleo das reservas de emergência do país, possivelmente em coordenação com outras nações para maximizar o efeito. No entanto, até o momento, as autoridades governamentais não tomaram medidas para utilizar a Reserva Estratégica de Petróleo , um estoque de petróleo bruto armazenado em vastas cavernas subterrâneas.
Na Ásia, os sinais de pressão sobre as principais economias estão aumentando. A China ordenou que as principais refinarias suspendam as exportações de diesel e gasolina, refletindo os esforços para priorizar as necessidades internas. Em outros lugares, refinarias japonesas solicitaram ao governo a liberação de petróleo de reservas estratégicas.
Com o agravamento do conflito, que restringe o fornecimento do Oriente Médio, a Arábia Saudita aumentou o preço de seu principal tipo de petróleo para compradores na Ásia em abril, registrando o maior aumento desde agosto de 2022. Riad também está desviando milhões de barris para seus portos no Mar Vermelho, a fim de evitar o Estreito de Ormuz.
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Os preços dos produtos dispararam. Na Europa, os contratos futuros de gasóleo com baixo teor de enxofre subiram 50% na ICE Futures Europe até agora esta semana, a maior variação já registrada.
Em um sinal de aperto no curto prazo, o spread imediato do Brent — a diferença entre seus dois contratos mais próximos — aumentou para US$ 4,62 por barril em backwardation, um padrão de alta. Há um mês, era de 58 centavos.
(com Bloomberg)
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