Organização interna do Comando Vermelho: cargos, funções e gestão financeira

Investigação revela: Comando Vermelho adota "governança corporativa" para gerir conflitos e finanças em todo o Brasil.

Uma megaoperação deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (11/03) trouxe à tona detalhes inéditos sobre o funcionamento interno da maior facção criminosa do estado.
Arte/Metrópoles

Uma megaoperação deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (11/03) trouxe à tona detalhes inéditos sobre o funcionamento interno da maior facção criminosa do estado.

Pela primeira vez, os investigadores tiveram acesso ao estatuto do CV, que revela uma estrutura de cargos como presidente, tesoureiro e até “diretor de conflitos”, assemelhando-se à governança de uma empresa formal.

A investigação, conduzida pela DCOC-LD, identificou que o documento estabelece conselhos deliberativos, funções hierárquicas rígidas e um regime disciplinar severo. O material foi descoberto após a quebra de sigilo telemático de Edgar Alves de Andrade, o “Doca da Penha”, uma das principais lideranças da organização em liberdade.

A Cúpula: Quem é quem no Conselho Permanente

O inquérito detalha os nomes que compõem o chamado “Conselho Permanente”, órgão máximo de decisão da facção:

  • Marcinho VP: Apontado como o Presidente do Conselho (mesmo preso em unidade federal).

  • Fernandinho Beira-Mar: Citado como conselheiro estratégico.

  • Pezão: Responsável pela Tesouraria, administrando a “Caixinha da facção”.

  • Doca da Penha: Identificado como a “1ª Voz das Ruas”, o porta-voz oficial.

Investigação aponta que facção utiliza termos como “diretor de governança” para mediar disputas.

“Diretor de Conflitos” e a Gestão de Crises

O que mais chamou a atenção dos policiais foi a existência de cargos específicos para a manutenção da ordem entre grupos criminosos. Arnaldo da Silva Dias, o “Samuray”, foi identificado como o “diretor de governança corporativa de conflitos regionais”. De dentro do presídio de Bangu 3, ele seria o responsável por intermediar brigas territoriais e evitar guerras desnecessárias que atraiam a atenção da polícia.

Expansão Nacional e “Circulares”

A organização não se limita ao Rio de Janeiro. O estatuto prevê o envio de “circulares gerais” para estados como Mato Grosso, Bahia, Ceará e Rondônia.

Segundo a polícia, essas comunicações possuem linguagem padronizada e orientação ideológica, visando manter a unidade da facção em todo o território nacional e organizar o financiamento de armamentos através do fundo gerido pela tesouraria.

A operação desta quarta-feira é considerada um marco para sufocar a estrutura administrativa do grupo, indo além do combate direto nas comunidades e focando na inteligência e no fluxo de capitais da organização.

Fonte: Metrópoles

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