Durante encontro com a imprensa promovido pelo grupo de campanha da governadora Mailza Assis (Progressistas), nesta terça-feira (25), o estrategista político Paulo Moura comentou os números da última pesquisa Data Control, que mostra uma reviravolta na disputa ao Governo e coloca Mailza à frente do senador Alan Rick (Republicanos).
A manifestação ocorreu no contexto em que a oposição questionou publicamente a relação entre o governo e os proprietários do instituto responsável pelos números, levantando suspeitas sobre possíveis influências no resultado que apontou vantagem para a governadora frente ao senador.
Ao ser questionado sobre o cenário levantado pelos números, Moura ressaltou que a coordenação de campanha não faz avaliações públicas sobre pesquisas externas, priorizando análises metodológicas e levantamentos de uso estritamente interno:
“Primeiro que a gente não tem nenhuma relação com os institutos de pesquisa que estão trabalhando, fazendo suas pesquisas e divulgando suas pesquisas. Nós temos as nossas pesquisas internas e essas, sim, a gente tem trabalhado, a gente tem consumido elas. Mas isso é para consumo interno, tá? E que a gente não tem divulgado, até porque esse não é o nosso propósito.”
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O especialista pontuou a importância de distinguir estudos científicos sérios de meras sondagens informais:
“De antemão, de forma geral, eu venho também de pesquisa, eu conheço sobre pesquisa. A minha formação também é, embora não seja na área de estatística, mas nas ciências sociais, eu conheço sobre pesquisa. Então eu tenho uma sensibilidade e um respeito muito grande pelos institutos de pesquisa. A gente sabe que existem pesquisas que às vezes a construção, a metodologia dessas pesquisas, cientificamente elas não têm nenhum embasamento. Então a população às vezes confunde pesquisa com enquete. Isso aí já é uma distorção de entendimento acadêmico sobre o que é pesquisa. E a gente tem clareza disso”.
Segundo Moura, a orientação passada à pré-candidata é evitar declarações sobre levantamentos de terceiros antes de averiguar detalhadamente aspectos amparados por rigor técnico, como amostragem, margem de erro e forma de coleta:
“E por isso que pra gente, a gente não comenta. E o que eu pedi, a minha orientação pra minha cliente, é que a gente sempre respeitasse os institutos, mas que a gente não fizesse comentário sobre as pesquisas, porque a gente primeiro precisa conhecer a metodologia dessa pesquisa. Isso foi uma pesquisa? Qual o tamanho da amostra? Qual que é a margem de erro? Qual que foi a forma de coleta? O problema das pesquisas não é o que ela diz. O problema das pesquisas é que a metodologia que foi utilizada e se o que ela diz realmente tem relevância. Porque tem muita coisa às vezes que a pesquisa não diz, mas que é tão relevante quanto.”
O consultor ponderou ainda que o interesse da população costuma focar na disputa direta entre quem lidera, mas ressaltou que os atributos qualitativos desejados pelo eleitorado são os fatores determinantes para a estratégia:
“E quando a gente tá numa corrida eleitoral, é natural que a primeira informação que se tem a fundo e se quer conhecer, a população quer saber o seguinte: quem tá à frente, quem tá atrás. Mas existem outros dados que são mais ou tão relevantes quanto. ‘Paulo, me dá um exemplo.’ Qual que é o perfil desejado? Esse é um tema, essa é uma informação que, para quem trabalha com comunicação, é extremamente relevante. Você pode estar momentaneamente à frente por uma questão aqui pontual, mas no imaginário da população, o que elas buscam, o perfil do próximo governante, seja completamente antagônico com o resultado que tá sendo apresentado aqui.”
Ao concluir, o estrategista explicou que as variações apuradas no ambiente político refletem a intensificação da agenda pública da governadora nas ruas e que o ritmo atual segue o planejamento estabelecido pelo grupo:
“Portanto, quando a gente diz, quase que se tornou um jargão, de que pesquisa é uma fotografia do momento, sim, é. Mas tem coisas mais importantes do que essa fotografia revela. O que é que essa fotografia de fato tá revelando? Está de acordo com a estratégia de comunicação? Está retratando o perfil que a população busca? Quais são os atributos que ela busca do próximo governante? Quais são as competências que a gente busca? O que é que ela rejeita? O que é que ela não quer para o próximo governante? E dentro dessa informação, e aí indo objetivamente à sua pergunta, eu acho que a partir do momento que a Mailza começou a ir para as ruas, começou a sua comunicação, começou a tentar se aproximar desse eleitorado e apresentar… apresentar uma identidade, apresentar um pouco quem é a Mailza, é natural que isso haja ali uma movimentação em torno da sua candidatura. Você me pergunta: ‘Isso é uma coisa que vai permanecer para sempre?’ Não, mas nas nossas projeções que a gente faz de cálculo e tal, está tudo dentro do que a gente tem planejado até agora…”.
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