Em entrevista, fonoaudióloga aborda fala, voz e importância dos cuidados na infância; confira

"Uso de mamadeira e chupeta de forma demasiada, acarreta atraso na fala", disse a especialista em entrevista

A especialidade na área da saúde que compreende o estudo da fonação e da audição, de seus distúrbios e das suas formas de tratamento, cresce significativamente no Brasil, com a variedade de demandas que surgem nesse cenário atual. A fonoaudióloga e professora, Daisy Guerra, em entrevista concedida à ContilNet na manhã de quinta-feira (16), falou sobre os desafios, cuidados com a saúde e necessidade do profissional.

Durante a entrevista, a especialista também citou a importância do novembro laranja, que é uma campanha nacional na luta pela saúde auditiva e a atenção da população para o zumbido no ouvido, um problema que vem crescendo dia após dia e já começa a atingir faixas etárias cada vez menores.

“O fonoaudiólogo também promove saúde”, disse Daisy/Foto: Arquivo pessoal

Guerra é docente em Linguística Aplicada e Fonoaudiologia, na União Educacional do Norte (Uninorte), fonoaudióloga da Maternidade Bárbara Heliodora e especialista nas áreas escolar, clínica e hospitalar.

“Desenvolvemos atividades voltadas á promoção da saúde, prevenção, orientação, avaliação, diagnóstico e terapia, atua em ensino, pesquisa e consultoria”, citou o objetivo da profissão.

Daisy é a profissional que cuida da parte de deglutição e respiração dos bebês na maternidade de Rio Branco/Foto: ASCOM

Confira a entrevista:

O que faz o profissional da Fonoaudiologia?

O fonoaudiólogo é o profissional da área da saúde que trabalha com os diferentes aspectos da comunicação humana (linguagem oral e escrita, fala, voz e audição) e com a funções responsáveis pela deglutição, respiração e mastigação. Desenvolve atividades voltadas á promoção da saúde, prevenção, orientação, avaliação, diagnóstico e terapia, atua em ensino, pesquisa e consultoria. Podem compor equipes com outros profissionais, como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos entre outros profissionais.

Quais as principais dificuldades enfrentadas ultimamente no exercício dessa profissão?

Defino que a maior dificuldade na Fonoaudiologia, ainda é o desconhecimento dessa linda profissão, mesmo sendo divulgada.

Há diferenças entre voz e fala? Quais são?

Voz é o som produzido pelo ar que sai dos pulmões, atravessa a laringe vibrando as pregas vocais. Fala é o som articulado e moldado pelo trato vocal, dente, língua, bochechas e lábios.

“Meu filho passou dos 5 anos e troca algumas letras durante as palavras que fala”, o que se deve fazer?

Até os 4 anos ocorrem os processos fisiológicos de aquisição de fala, as trocas dos fonemas na oralidade podem persistir até 4 anos e meio. Depois dessa idade, caso as trocas continuem, é ideal procurar o fonoaudiólogo, para adequação dos fonemas. Ressaltando que não se deve “enfocar”, reforçar as trocas de fala. Criança com 5 anos que apresenta trocas fonêmicas, já deve estar em terapia fonoaudiológica, pois, tais trocas podem passar para a escrita.

Há inúmeros transtornos envolvendo a fala e a voz na infância, quais são eles?

Na voz, as patologias mais frequentes em crianças são as Disfonias ( rouquidão), com nódulos vocais, em decorrência da criança gritar muito, falar sem respirar, enfim, usar a voz inadequadamente. Na fala, há desvio fonológico evolutivo (trocas na fala), o sigmatismo interdental anterior e lateral: a língua fica posicionada entre os dentes anteriores ou nas laterais, ocasionando interferências nas arcadas dentárias, mastigação, deglutição, respiração e posicionamento lingual. Ressalta-se que o uso de mamadeira e chupeta de forma demasiada, acarreta atraso na fala.

Sobre alguns cuidados, Daisy destaca:

“A fala deve ser estimulada através da ludicidade, do brincar, da contagem de historias, da comunicação, devemos não reforçar as trocas da fala, “achando bonitinho” para não trazer problemáticas futuras. Fazer com que a criança mastigue para trabalhar a musculatura orofacial, auxiliando no desenvolvimento da fala e se as troca fonêmicas persistirem até 4 anos e 6 meses, procure o Fonoaudiólogo, ele é o profissional adequado para orientar e trabalhar com as questões ligadas a Comunicação”.

A final, comentou sobre a campanha do Novembro Laranja:

“O objetivo é conscientizar a população sobre a realidade preocupante do aumento de problemas do ouvido em todas as idades e motivar mais profissionais da saúde a abraçarem estas causas”, concluiu.

A Campanha Nacional de Alerta ao Zumbido foi criada em 2006 pela Dra Tanit Ganz Sanchez para realizar ações voluntárias de divulgação do assunto durante todo o mês de novembro, período que inclui o Dia Nacional de Conscientização do Zumbido (11/11). Recentemente, a campanha recebeu o apelido de Novembro Laranja e passou a ser promovida pelo Instituto Ganz Sanchez (www.institutoganzsanchez.com.br).

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