Gehlen: “NĂŁo temos como consertar 20 anos de estragos do dia para a noite”

Por TIÃO MAIA, PARA CONTILNET 05/01/2020 às 18:07 Atualizado: hå 6 anos

De férias da Assembleia Legislativa, por conta do recesso parlamentar, ainda assim o deputado estadual Gerlen Diniz (Progressistas), líder do Governo na Casa, não para de fazer política. Nesta sexta-feira (3), ele foi encontrado visitando correligionårios arregimentando nomes para compor a chapa que deve disputar a Cùmara de Vereadores na Capital.

Entre uma visita e outra, ele parou para conceder entrevista ao ContilNet, quando falou dos erros e acertos do governador Gladson Cameli neste primeiro ano de Governo e anunciou que vai, sim, disputar a Prefeitura de Sena Madureira pelos Progressistas contra o atual prefeito Mazinho Serafim, do MDB, que deverå ser candidato à reeleição. A seguir, os principais trechos da entrevista com o deputado:

Deputado, na sua avaliação, qual foi, em 2019, o principal acerto político e administrativo do governo Gladson Cameli, do qual o senhor é líder na Assembleia Legislativa?

Gerlen Diniz – O nosso governo teve muitos acertos. NinguĂ©m acerta 100%, Ă© evidente, mas, numa avaliação isenta e como um todo, o Governo acertou muito mais do que errou. Veja que o Governo anterior, em campanha, dizia que nĂłs, caso o Gladson Cameli vencesse a eleição, em trĂȘs meses irĂ­amos atrasar os salĂĄrios dos servidores. E deu-se justamente o contrĂĄrio: alĂ©m de pagar em dia [o governo] antecipou o 13Âș e ainda pagou dĂ­vidas de salĂĄrios herdados do governo anterior.

Qual o outro acerto na sua avaliação?

O outro tem a ver com este primeiro acerto, dos pagamentos. É decorrente de um trabalho de austeridade, de gastar somente o que tem e de muita organização. O Governo [de Gladson Cameli] acertou em muitas secretarias. Veja uma secretaria de Administração e Planejamento fundidas, sob a administração da secretĂĄria Maria Alice Melo, que Ă© uma secretĂĄria de excelĂȘncia, uma tĂ©cnica excepcional. Caso tambĂ©m d Secretaria de Turismo, executada pela ex-deputada Eliane Sinhasique, que Ă© outra secretĂĄria de excelĂȘncia. É de se destacar tambĂ©m a direção do Detran, cujos trĂȘs diretores, o Luis Fernando Maia, o Manuel JerĂŽnimo e o Isaias, atĂ© recentemente, transformaram aquela autarquia num ĂłrgĂŁo confiĂĄvel e que serve de exemplo para as demais no Estado do Acre. O fato Ă© que nosso Governo acertou muito. Outro exemplo Ă© o secretĂĄrio de Estado da Casa Civil, Ribamar Trindade, que garantiu a legalidade das açÔes de Governo ao longo do ano.

Gehlen: "NĂŁo temos como consertar 20 anos de estragos do dia para a noite"

“NĂŁo temos como consertar 20 anos de estragos de dia para a noite”, diz deputado; ele anunciou tambĂ©m que Ă© candidato prefeito de Sena Madureira/Foto: ContilNet

Por falar no secretĂĄrio, o senhor sabe se ele continua no Governo?

Eu não sei. Eu torço para que continue. Se não continuar, torço para que o governador coloque lå alguém à altura e que possa garantir que o governo continue neste caminho certo. Na verdade, nós estamos no caminho certo, mas não temos como consertar estragos de 20 anos, de puro desgoverno, do dia para a noite.

Aonde foi que o governo Gladson Cameli errou, também na sua avaliação de líder?

Errou onde os secretĂĄrios nĂŁo corresponderam e tiveram que ser substituĂ­dos. Veja que desde o inĂ­cio da gestĂŁo muitos secretĂĄrios foram exonerados. Foram secretĂĄrios que nĂŁo corresponderam ao esperado e nĂŁo conseguiram fazer gestĂŁo e solucionar os problemas que precisavam ser enfrentados. Tiveram entĂŁo que ser substituĂ­dos. Onde houve substituição foi porque o governo entendeu que nĂŁo estavam trabalhando a contento e trocou os secretĂĄrios. Foram vĂĄrias pastas, mas tais trocas foram feitas sempre buscando a eficiĂȘncia administrativa.

O senhor acha que houve acerto na relação do Governo com a Assembleia Legislativa, que Ă© tĂŁo criticada tanto pela oposição e atĂ© por deputados da base e na qual o Governo teve que recuar, em alguns momentos, como em votaçÔes importantes como esta da reforma da previdĂȘncia estadual?

O Governo, apesar desse mito que criaram de que a relação do governador com os deputados nĂŁo Ă© boa, tem uma relação excelente com a Assembleia Legislativa. Prova disso sĂŁo os resultados das votaçÔes que ocorreram ali. O Governo aprovou praticamente 100 por cento do que enviou para a Assembleia Legislativa. Se uma ou outra matĂ©ria teve mais um pouco de dificuldade, quando houve a exposição, a demonstração da necessidade daquele projeto para a sociedade, mas, ao final, conseguimos aprovar. O Acre foi o primeiro Estado, a primeira unidade da federação, a aprovar a sua reforma da previdĂȘncia estadual, ganhando inclusive do Espirito Santo e tambĂ©m com a transformação dos agentes penitenciĂĄrios em PolĂ­cia Penal, atravĂ©s de emenda constitucional. Mas nĂŁo existe esta histĂłria de que o governo nĂŁo se dar bem com sua base. É claro que isso nĂŁo Ă© verdade. Se nĂŁo se desse bem, o governo nĂŁo aprovaria na Casa o que conseguiu aprovar.

E por que as críticas tão contundentes da oposição sobre o assunto, dizendo que o governo não se relaciona bem inclusive com os deputados de sua própria base?

A oposição tem que criticar. Esse pessoal que estava no poder a 20 anos, tem que encontrar razÔes para criticar e sai criticando a torto e a direito.

O senhor que Ă© policial rodoviĂĄria federal, portanto da ĂĄrea de segurança pĂșblica, acha que o Governo estĂĄ no caminho certo nesta ĂĄrea, com tanta violĂȘncia, com tantas matanças, no Acre inteiro e, principalmente, em Sena Madureira, o seu municĂ­pio?

Olha, se vocĂȘ recebe um Estado onde aconteceu, num ano, 500 homicĂ­dios e aĂ­ vocĂȘ administra, investe em segurança pĂșblica e no ano seguinte, acontecem 400 homicĂ­dios, houve redução, Ă© claro – mas ainda Ă© um nĂșmero alarmante. É inadmissĂ­vel que um Estado como o Acre tenha aĂ­ tantos homicĂ­dios – e nĂŁo estou citando esses nĂșmeros como dados. Estou citando nĂșmeros hipotĂ©ticos. Houve diminuição? Houve. Mas os nĂșmeros ainda sĂŁo alarmantes. Infelizmente, a gente tem que admitir. Tem que ser investido mais: contratar mais policiais, investir em tecnologias porque a sociedade nĂŁo aguenta. Uma hora a população vai se revoltar porque a bandidagem em Rio Branco – nĂŁo sĂł em Rio Branco, no Acre todo – nĂŁo respeita mais a polĂ­cia, nĂŁo respeita ninguĂ©m e o Estado tem que dar uma resposta.

O senhor admite que Sena Madureira, seu municĂ­pio, hoje Ă© um dos, senĂŁo o mais violento do Acre?

NĂŁo, nĂŁo Ă©. Em Sena Madureira aconteceu este caso do assassinato de duas crianças, uma covardia enorme, um absurdo, o assassinato de uma menina de 14 e outro menino de 16 anos, que nĂŁo tinham envolvimento com facçÔes. Mas isso nĂŁo transforma Sena Madureira no que jĂĄ foi. Eu sou de lĂĄ, e muitas vezes fui Ă  tribuna da Assembleia para dizer que Sena Madureira era a cidade mais violenta do Estado do Acre. Hoje, nĂŁo Ă© mais. Isso aconteceu, infelizmente, mas, para se ter uma ideia, em 2019, foram oito homicĂ­dios lĂĄ ao longo do ano. É um municĂ­pio em que hĂĄ crimes? É! Temos eu combater? Temos – e isso vai ser combatido. NĂłs temos que avaliar a segurança pĂșblica pelo conjunto. Houve avanços no primeiro ano? Sim, mas ainda estĂĄ ruim: temos que avançar no segundo, terceiro e quarto ano e entregar o Governo ou ir para uma reeleição com nĂșmeros aceitĂĄveis. Infelizmente, no nosso municĂ­pio acontece aquela violĂȘncia que atĂ© nos paĂ­ses desenvolvidos acontece…

Como é que estå sua relação com Sena Madureira e com o prefeito Mazinho Serafim? Os senhores vão para o embate eleitoral deste ano? O senhor é candidato a prefeito na sucessão do senhor Mazinho?

Minha relação com o prefeito é profissional. Eu o respeito como prefeito, mas não sou aliado dele e nem devo ser e devo concorrer às eleiçÔes em Sena Madureira para prefeito sim, com o apoio de toda a oposição local, oposição ao prefeito. Temos conversas com Toinha Vieira, com Charlene Lima, com Zenil Caves e com as principais lideranças de oposição e devo ser, sim, candidato pelo Partido Progressista, com o apoio do Governo do Estado do Acre. A população vai ter a oportunidade de avaliar. Avaliar o atual prefeito e se entender que ele fez um bom trabalho e desejar continuar, a gente respeita. Mas haverå uma opção com o meu nome, um nome novo e que se propÔe a abdicar de um mandato na Assembleia Legislativa para ir administrar sua terra natal e eu tenho certeza de que poderemos fazer muito mais.

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