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18 maio, 2021 12:47 pm

Acreano Vanderson Brito, ex-BBB19, se revolta com a Globo e expõe bastidores

Vanderson Brito, ex-participante do Big Brother Brasil 19, após tweet polêmico fala sobre expulsão, relação com Boninho e ser inocentado

POR EM OFF

O acreano Vanderson Brito levantou uma polêmica por meio do seu perfil no Twitter. O ex-brother do Big Brother Brasil 19, da Globo, expulso de sua edição, se mostrou revoltado com a emissora após a exibição do documentário “Falas da Terra” no reality show.

Quem acompanhou o especial Falas da Terra foram Pocah e Arthur, convidados pelo líder Caio no Cinema do Líder. O goiano também curtiu o momento de relaxamento com os colegas de confinamento.

Vanderson Brito, que também é indígena, fez questão de alfinetar o canal: “Legal a Globo apresentar o documentário sobre nós, povos indígenas. Pena ter desclassificado covardemente o primeiro e único indígena que já pisou no BBB”.

Vanderson Brito teve sua vida virada do avesso com a participação na casa mais vigiada do Brasil. O biólogo, ambientalista e professor teria supostamente assediado uma pessoa com que se relacionou e teve acusações protocoladas na Justiça. O ex-brother recebeu acusações de agressão, estupro e assédio e teve sua imagem manchada na época com a repercussão do caso.

A delegada Rita Salim, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá (DEAM), no Rio de Janeiro, esteve nos Estúdios Globo na época e intimou o participante a prestar depoimento em inquérito instaurado por conta das denúncias feitas contra ele. Quando um participante deixa a casa e possui contato com o mundo externo, é desclassificado automaticamente.

Vanderson Brito foi inocentado e teve todas as denúncias contra ele arquivadas por falta de provas pelo MPAC (Ministério Público de Estado do Acre), mas, segundo ele, nunca teve oportunidade de mostrar o seu lado na emissora. O EM OFF conversou com exclusividade com o ex-participante do reality, que fez várias revelações.

EM OFF: Como você avalia a atual edição do BBB?
Vanderson Brito:
 Desde o ano passado o Big Brother mudou o patamar trazendo pessoas conhecidas e em um período de quarentena, de pandemia onde as pessoas estão obrigatoriamente em casa. Com isso a audiência foi para o ápice e nossa rotina mudou. Começamos a acompanhar de forma diferente os programas também e o BBB se tornou novamente um fenômeno. Anteriormente algumas pessoas falavam de forma pejorativa de ex-participantes e hoje vemos artistas, jogadores de futebol, todos falando que queriam entrar no Big e comentando. Essas duas últimas novas edições mudaram esse olhar, estou assistindo, acompanhando e gosto do formato e acho chato só alguns pontos porque as pessoas estão com tanto medo de serem canceladas que elas andam numa linha muito tênue, correta, com medo de errar, soltar uma palavra que não deve e acaba que se perde um pouco da naturalidade do programa e fica um pouco chato. As discussões são importantes, relevantes e geram uma discussão muito válidas, porém, essa timidez e insegurança dos competidores deixa o programa engessado. Mesmo assim estou gostando e acompanhando.

EM OFF: Você foi inocentado após as acusações que recebeu. Boninho entrou em contato com você ou alguém da direção?
Vanderson Brito: Eu saí do programa em uma quarta-feira de manhã e na quinta-feira, também pela manhã, a acusação pelo qual fui desclassificado já havia sido arquivada. Esperei acabar os outros inquéritos, eram mais dois, encerrados todos eles e provado que eu era inocente de todos. Eu mandei uma mensagem para uma das produtoras da emissora e recebi apenas um ‘parabéns’. Nunca ninguém da produção, Boninho ou alguém da direção entrou em contato ou mandou um oi. Quem mandou mensagem fui eu achando que gostariam de saber, do dia que me deixaram em casa até hoje, eu nunca recebi um retorno.

EM OFF: Você voltaria para o programa se te dessem essa oportunidade?
Vanderson Brito: 
Eu voltaria. Minha experiência no Big Brother foi sensacional! Eu fui convidado, escolhido entre milhares de pessoas, inscrições e afins. Passei por seletivas difíceis e entrei nessa casa, foi uma experiência linda estar no programa. O pós-BBB, os tratamentos depois da emissora e afins são outros quinhentos. A visibilidade que eu gostaria de ter dado ao meu trabalho e aos projetos que eu desenvolvo, acabaram sendo ofuscadas por calúnias, uma outra oportunidade seria justamente para isso e trazer à tona tudo que eu queria mostrando nossa cultura do Acre e indígena e lógico que me divertir e concorrer ao prêmio que no final das contas é o principal.

EM OFF: A Globo está divulgando bastante o ‘Falas da Terra’, mostrando a riqueza cultural dos povos indígenas. Você ficou bastante irritado quando passaram o especial no BBB. Existe algum ressentimento com a emissora?
Vanderson Brito:
 Eu acompanhei um pouco da produção por redes sociais e alguns parentes indígenas que estão trabalhando na consultoria também. Então é um trabalho muito bonito, excepcional e importante, porém, o que me chateou foi vendo a edição do programa. Eles apresentando durante o Big Brother me remete a minha participação, o primeiro e único indígena que participou do BBB, na história, nessas últimas vinte e uma edições foi totalmente ignorado. Aconteceu o que aconteceu, em nenhum momentos após a minha saída a emissora deu algum tipo de suporte, me deixaram em casa e acabou, tchau. Não me deram suporte e nem espaço para que eu pudesse depois de provado que eu era inocente, para que eu conversasse, expusesse a minha situação e a minha inocência.

EM OFF: Quais são os participantes que você ainda mantém contato?
Vanderson Brito: Por rede social eu falo com alguns deles, uma vez ou outra com a Elana Valenária, com a própria Paula Sperling também. Eu tenho um contato maior com a Tereza Souza, Vinicius Póvoa e participantes de outras edições. Como por exemplo, a Patricia Leitte e o Max Porto, alguns vencedores e outros não, porque temos um grupo de ex-participantes e que foram super legais comigo desde que eu saí e me deram um suporte super legal, tipo um grupo de apoio. Uma galera super do bem e que mantemos contato, desde o primeiro Big Brother até o último.

EM OFF: Para quem vai a sua torcida no BBB 21?
Vanderson Brito: 
Eu torço pela Juliette, acho uma menina excepcional. Ela é gentil, educada, faladora, divertida e forte. Eu desde o começo me identifiquei muito com a liberdade que ela têm e até com os receios e medos. Nós indígenas vivemos desde sempre, de certa forma sofrendo preconceito com olhares, sendo reprimidos em um ponto ou outro. Precisamos estar diariamente nos reafirmando, uma luta de autoafirmação e essa postura dela, essa busca pela autoafirmação. Por se manter de pé e forte, causa uma identificação imediata e espero que ela ganhe.

EM OFF: Mesmo após todas as polêmicas, como foi pra você se restabelecer profissionalmente?
Vanderson Brito:
 É complicado porque seu nome está associado a algo tão negativo, sem sombra de dúvidas isto te afeta. De forma profissional, social, emocionalmente, então durante um período inicial eu me restringi a trabalhos domésticos. Eu não tinha interesses em sair de casa, antes pandemia já trabalhava de home office para evitar contatos maiores por receio. A gente acaba se fechando depois de tanta coisa ruim que acontece e eu já tenho um trabalho bem consolidado, um tempo de carreira junto aos povos indígenas, junto a educação e no final das contas isto é o que conta. Isso é o mais importante, quando se tem um trabalho honesto e relevante a fazer, as falácias elas são menores. Apesar da pandemia hoje eu consigo articular e montar meus projetos de trabalho junto aos povos indígenas voltados para educação e está fluindo.

EM OFF: Se te convidassem para outro tipo de reality, você toparia? O ‘No Limite’ com ex-BBBs está chegando e é o seu perfil.
Vanderson Brito: Eu toparia sim, principalmente se fosse nessa linha do No Limite ou A Fazenda porque minha formação é em biologia. Então eu tenho um contato contínuo com fauna e flora, essa ligação direta de tarefas, estar em contato com a natureza pra mim é muito legal e interessante. Eu toparia sim com certeza, sem contar que seria uma oportunidade de desfazer, desmistificar esse estigma negativo e dar visibilidade para o que é ser visto. O que eu tenho realmente para mostrar.