O Senado aprovou nesta quarta-feira o projeto de lei que estabelece, entre outras coisas, um auxĂlio de atĂ© R$ 3,5 mil para agricultores familiares que se encontrem em situação de pobreza e extrema pobreza. O objetivo do projeto Ă© tentar mitigar os efeitos da pandemia da Covid-19 no setor. Como jĂĄ passou pela CĂąmara, o texto segue agora para sanção presidencial.
Pela proposta, serĂŁo transferidos pelo menos R$ 2,5 mil por unidade familiar, em parcela Ășnica. Quando destinados a mulheres, o valor aumentarĂĄ para R$ 3 mil. Nos casos de projetos que contemplem a implementação de tecnologias de acesso Ă ĂĄgua, como fossas e cisternas, o valor dos recursos transferidos serĂĄ de R$ 3,5 mil por unidade familiar.
A matĂ©ria tambĂ©m prevĂȘ, entre os eixos centrais, a concessĂŁo automĂĄtica do BenefĂcio Garantia-Safra atĂ© dezembro de 2022 para aqueles que possuam um laudo tĂ©cnico de vistoria municipal comprovando a perda de safra.
HĂĄ, ainda, a previsĂŁo da criação de linhas de crĂ©dito destinadas ao custeio e investimento de atividades relacionadas Ă produção de alimentos bĂĄsicos e leite. O dispositivo sugere taxa efetiva de juros de 0% ao ano e prazo de vencimento nĂŁo inferior a dez anos, incluĂdos atĂ© cinco anos de carĂȘncia, com recursos controlados e nĂŁo controlados do crĂ©dito rural.
O texto também cria o Programa de Atendimento Emergencial à Agricultura Familiar, que serå operacionalizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com a proposta, a empresa comprarå alimentos produzidos pelos agricultores e os doarå para pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional ou a entidades recebedoras previamente definidas pelo órgão federal competente.
Por ano, a Conab poderĂĄ adquirir atĂ© R$ 6 mil por unidade familiar ou atĂ© R$ 7 mil por famĂlia, no caso de o beneficiĂĄrio ser mulher agricultora. Quando a aquisição for feita de cooperativa, os limites individuais serĂŁo multiplicados pelo nĂșmero comprovado de cooperados ativos.
Durante a votação, o lĂder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), se posicionou contra a matĂ©ria. Segundo ele, o projeto “nĂŁo parece conveniente e traz uma sĂ©rie de problemas de difĂcil solução”.
â Esta iniciativa, que Ă© a instituição desse fomento emergencial, gera um impacto fiscal da ordem de R$550 milhĂ”es, que vai repercutir jĂĄ no escasso orçamento pĂșblico federal do ano em curso, quando nĂłs estamos enfrentando muitas dificuldades para o financiamento de despesas igualmente importantes, como, por exemplo, as despesas na ĂĄrea da saĂșde (…) Portanto, entendemos que este nĂŁo Ă© o momento de alargar a proteção que se quer aos agricultores familiares â disse o lĂder do governo.
Bezerra tentou convencer os senadores a retirarem do texto o auxĂlio de atĂ© R$ 3,5 mil por unidade familiar, que Ă© o que causa o maior impacto fiscal, mas acabou derrotado. A tendĂȘncia Ă© de que Bolsonaro vete o trecho.
â SĂł para dizer que nĂłs temos um diĂĄlogo muito aberto e franco com os lĂderes do Governo. NĂŁo foi por radicalidade. Ă que a gente entende que os cinco itens se coadunam, se completam; tirando um, fica sem força o projeto. No entanto, o Governo tem o direito de analisar a questĂŁo dos impactos. No entanto, a gente defende este encaminhamento â reforçou o relator do projeto, Paulo Rocha (PT-PA), em resposta.
