Animais e fogos de artifĂ­cio: como lidar com o medo dos pets na virada do ano

Por BBC NEWS BRASIL 30/12/2022 Ă s 20:48

Nas Ășltimas semanas de dezembro, o interesse por um remĂ©dio costuma estar em alta nos sites de pesquisa da internet: o sedativo acepromazina Ă© visto como uma alternativa para aliviar o estresse de cĂŁes e gatos que sofrem com o estampido e as luzes dos fogos de artifĂ­cio.

Esses incĂŽmodos relacionados ao foguetĂłrio, aliĂĄs, representam um perigo Ă  saĂșde dos pets: eles podem trazer efeitos imediatos, com fugas, atropelamentos e convulsĂ”es, ou de longo prazo, como doenças cardĂ­acas, imunolĂłgicas e metabĂłlicas.

Muitas vezes, na tentativa de trazer alĂ­vio ao animal de estimação, os donos acabam recorrendo aos remĂ©dios anestĂ©sicos e relaxantes. Eles sĂŁo vistos pelos tutores como meios para acalmar os animais no final de ano, especialmente na virada dos dias 31 de dezembro e 1Âș de janeiro, nas comemoraçÔes do rĂ©veillon.

O uso desses fårmacos, porém, também significa uma ameaça aos bichinhos. Sem a orientação de um médico veterinårio, essas substùncias podem causar sérios efeitos colaterais.

A prĂłpria acepromazina Ă© um exemplo disso: apesar de o animal parecer mais relaxado e sonolento apĂłs receber o tratamento, ele segue com os sentidos em pleno funcionamento.

Ou seja: na prática, o pet continua a ver e a ouvir todos os estímulos visuais e sonoros ao redor. Ele só não consegue reagir com os comportamentos esperados, como correr, se esconder, procurar os donos, latir/miar


“NĂłs vemos na prĂĄtica como a automedicação estĂĄ crescendo. As pessoas tĂȘm facilidade de conseguir esses remĂ©dios e dĂŁo aos animais na melhor das intençÔes, mas acabam colocando a saĂșde deles em perigo”, alerta o veterinĂĄrio Pedro Parussolo, do Hospital VeterinĂĄrio Sena Madureira, em SĂŁo Paulo.

“AlĂ©m disso, o retorno do cachorro ou do gato ao estado normal apĂłs a acepromazina nĂŁo Ă© muito legal. Alguns ficam com alucinaçÔes e desenvolvem comportamentos compatĂ­veis com uma crise de dor de cabeça”, acrescenta o tambĂ©m veterinĂĄrio Guilherme Soares, professor da Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro.

“NĂŁo se trata, portanto, de uma alternativa boa para lidar com essas situaçÔes”, complementa o especialista.

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