A Justiça do Rio de Janeiro tornou réus e converteu em preventiva a prisão de três acusados de integrar uma organização criminosa que usava a plataforma Discord para praticar e divulgar crimes com extrema violência. Bruce Vaz de Oliveira, Caio Nicholas Augusto Coelho e Kayke Sant’Anna Franco agora respondem formalmente a processo por tortura e morte de animais, incitação a crimes de ódio e pornografia infantil, entre outras acusações.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio foi integralmente aceita pelo juiz Cariel Bezerra Patriota, da 39ª Vara Criminal do Rio, que destacou a periculosidade do grupo e a gravidade dos atos praticados. Segundo os autos, os réus criaram a comunidade “Servidor 466” no Discord, onde promoviam sessões de tortura transmitidas ao vivo.
Um dos episódios descritos é a morte de um gato que foi torturado, exibida em tempo real em 25 de março para os demais integrantes da rede. Além disso, o grupo incentivava automutilação entre jovens e compartilhava conteúdo de pornografia infantil. As ações, tinham como pano de fundo o estímulo ao ódio contra mulheres, negros e adolescentes.
Na decisão, o magistrado apontou que o trio atuava de forma coordenada: Bruce era o dono do servidor e executor direto das agressões, Caio exercia papel de liderança ideológica, incentivando os crimes, e Kayke funcionava como uma das principais vozes de comando, além de também participar ativamente das ações. O juiz destacou que, por trás do anonimato da internet, os acusados demonstravam “ousadia ímpar” e intenção clara de continuar os delitos.
Outro ponto que pesou na manutenção das prisões foi o fato de Kayke ter acessado ilegalmente um banco de dados sigiloso da polícia, repassando informações aos demais membros da quadrilha e orientando-os a apagar provas.
As investigações prosseguem, agora com foco na identificação de possíveis financiadores do grupo, que recebia dinheiro por transferências via Pix. A polícia também apura ligações com outros crimes semelhantes, como o atentado com coquetéis molotov em fevereiro, na Zona Norte do Rio, que teria ligação direta com a atuação da organização.

