Dois deputados do Acre aparecem na lista dos que não apresentaram nenhum projeto em 2025

Levantamento é do site Congresso em Foco, que checou dados oficiais da Câmara dos Deputados

Enquanto o Congresso Nacional enfrenta debates quentes sobre reforma tributária, regulação das redes sociais e crise federativa, alguns parlamentares seguem em completo silêncio legislativo. E dois nomes do Acre aparecem na lista que ninguém quer figurar: a dos deputados federais que, até agosto de 2025, ainda não apresentaram nenhum projeto de lei este ano.

Segundo levantamento divulgado pelo site Congresso em Foco, Antônia Lúcia (Republicanos) e Zezinho Barbary (PP) estão entre os 66 deputados federais que passaram mais de meio ano sem apresentar proposição legislativa.

Antônia Lúcia (Republicanos) e Zezinho Barbary (Progressistas)/Foto: Reprodução

A situação chama atenção, sobretudo, porque a apresentação de projetos — ainda que não sejam todos aprovados — é uma das funções mais básicas de um parlamentar. Isso sem falar na expectativa de representatividade ativa que seus eleitores, lá do Acre, depositaram nas urnas.

Antônia Lúcia, que já teve outros mandatos na Câmara, voltou à Casa após as eleições de 2022 prometendo representar a pauta conservadora e os valores da família. Já Zezinho Barbary, ex-prefeito de Porto Walter, chegou a Brasília com um discurso municipalista e de defesa dos pequenos municípios acreanos. Até agora, nada disso virou projeto.

Vale lembrar: estar entre os 513 deputados e não apresentar um único projeto de lei até agosto é como passar oito meses numa sala de aula sem levantar a mão uma vez sequer.

No Congresso, o silêncio também fala — e, neste caso, fala alto.

Do outro lado …

Mas a bancada federal do Acre não é 100% inativa. Alguns nomes se sobressaem. A deputada Socorro Neri, por exemplo, é uma das líderes em partições em comissões do Congresso Nacional, entre elas, uma das mais importantes: a de Mudanças Climáticas, principalmente com a COP30 batendo na porta. O evento acontece em Belém do Pará no final do ano e vai reunir milhares de líderes mundiais. Ter uma parlamentar do Acre a frente dessas discussões em Brasília é essencial.

Os comandantes

A Expoacre 2025, que chegou ao fim neste domingo (3), deve entrar para a história como a maior já realizada, com recordes de público, negócios fechados e repercussão nacional. E por trás desse sucesso,três nomes merecem destaque: Jonatan Donadoni, secretário da Casa Civil, o articulador incansável Júlio César e talentosa Taiane Santos.

Donadoni, homem de confiança do governador Gladson Cameli, cuidou de cada detalhe da engrenagem política e institucional da feira. Já Júlio César, mestre em articulações operacionais, fez o evento acontecer na ponta — do galpão ao palco.

A dupla, que pouco aparece, mas muito entrega, consolidou a Expoacre como vitrine do Acre para o Brasil — e até para o exterior.

Thor vem aí?

A fala do presidente da Apex-Brasil, Jorge Viana, durante entrevista ao ContilNet na última semana, foi um recado claro para 2026: a prioridade do PT nas próximas eleições é eleger um senador.

Jorge, que é o nome do Acre mais próximo ao presidente Lula, disse que o ‘PT não pode querer tudo’, ao ser questionado se a sigla vai lançar um candidato ao Governo. O posicionamento mostra que esse nome deverá vir dos partidos aliados que vão compor a aliança com o PT em 2026 – até agora podem ser PCdoB, PV, Rede e PSB.

O nome com maior destaque é o do médico Theo Dantas, do PSB.

Abre o olho Gerlen

Durante os primeiros meses da gestão, o prefeito Gerlen Diniz (PP) enfrentou críticas constantes sobre o funcionamento da saúde pública em Sena Madureira — de falta de médicos a demora no atendimento. Mas, recentemente, o foco das queixas mudou de setor.

Agora, as reclamações mais barulhentas vêm da zona rural, onde moradores denunciam a precariedade dos ramais, especialmente em comunidades mais afastadas. O período de verão amazônico, que normalmente acelera as obras nas estradas vicinais, não trouxe alívio para quem precisa escoar produção ou se deslocar para a cidade.

A pressão tem aumentado, inclusive entre aliados do prefeito. A leitura nos bastidores é que Gerlen resolveu, em parte, os ruídos na saúde, mas precisa agir rápido para evitar que os ramais se tornem o novo calcanhar de Aquiles da gestão. A zona rural tem peso eleitoral — e memória longa.

O que vale é a constituição e a soberania

Jair Bolsonaro apostou alto numa estratégia arriscada: se vender ao mundo como um perseguido político. Em discursos, entrevistas e encontros com aliados nos Estados Unidos, tentou emplacar a narrativa de que é vítima de uma suposta perseguição judicial no Brasil, mirando especialmente o público da extrema direita internacional.

Foi à cova dos leões com essa tese — e saiu mordido. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a prisão domiciliar do ex-presidente, jogando por terra qualquer tentativa de escapar do alcance da Justiça brasileira.

A decisão sinaliza que, apesar da pressão externa e do discurso inflamado de aliados como Donald Trump, o Brasil mantém sua soberania e o compromisso com o Estado de Direito.

Por aqui, não é a política externa dos EUA que pauta o Supremo Tribunal Federal. Nem o clamor das redes. É a Constituição.

Ainda é trunfo ou virou um risco?

Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta semana acendeu o alerta vermelho nos bastidores da direita: 61% dos brasileiros afirmam que não votariam em candidatos que defendem anistia a Jair Bolsonaro. O dado não é pouca coisa — mostra que o discurso de perseguição política, amplamente adotado por aliados do ex-presidente, não cola mais como antes.

E isso inclui o Acre, que foi um dos estados onde Bolsonaro teve maior votação proporcional nas eleições de 2022. Defender o ex-presidente já foi, por aqui, uma garantia de capital político — sinônimo de voto fácil e palanque forte. Mas esse cenário começa a dar sinais de desgaste.

No último domingo, uma manifestação a favor de Bolsonaro no Acre reuniu pouca gente, com adesão tímida até entre nomes que costumavam puxar a fila do bolsonarismo local. A pergunta nos bastidores é: será que a marca “Bolsonaro” ainda rende voto em 2026 — ou virou peso político?

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