PT no Acre corre o risco de não ter candidato ao governo pela 1ª vez após mais de 40 anos

A sigla que comandou o Acre por duas décadas consecutivas — de Jorge Viana a Tião Viana — e que se consolidou como referência da esquerda amazônica, agora deve abrir mão da cabeça de chapa para apoiar um aliado

O Acre pode estar prestes a viver uma mudança histórica no cenário político. Pela primeira vez em mais de 40 anos, o PT pode não lançar candidatura própria ao governo do estado. A sigla que comandou o Acre por duas décadas consecutivas — de Jorge Viana a Tião Viana — e que se consolidou como referência da esquerda amazônica, agora deve abrir mão da cabeça de chapa para apoiar um aliado.

Último governador petista no Acre foi Tião Viana, reeleito em 2014/Foto: Ascom

O nome que desponta como favorito desse arranjo é o do médico Thor Dantas, do PSB. Jovem, com boa aceitação em setores da sociedade e com trânsito na área da saúde, Thor representa um novo fôlego para a esquerda local, que tem enfrentado dificuldade para se reorganizar desde a derrota em 2018.

Relembre as candidaturas do PT no Acre ao longo das quatro décadas:

Jorge Viana – 2022 – DERROTA
Marcus Alexandre – 2018 – DERROTA
Tião Viana – 2014 – REELEITO
Tião Viana – 2010 – ELEITO
Binho Marques – 2006 – ELEITO
Jorge Viana – 2002 – REELEITO
Jorge Viana – 1998 – ELEITO
Tião Viana – 1994 – DERROTA
Jorge Viana – 1990 – DERROTA
Hélio Pimenta – 1986 – DERROTA
Nilson Mourão – 1982 – DERROTA

Não é surpreendente

Essa movimentação não chega a ser surpreendente. O PSB hoje é um partido estratégico para o governo Lula: é a sigla do vice-presidente Geraldo Alckmin e ocupa espaços importantes na Esplanada. Uma aliança que fortaleça o PSB no Acre seria vista em Brasília como gesto de pragmatismo e unidade, algo valorizado num momento em que a esquerda busca ampliar seu espaço nos estados da região Norte.

Decisão difícil

Para o PT acreano, a decisão é difícil, mas natural. A legenda já não tem o mesmo protagonismo eleitoral de anos atrás e sabe que insistir em uma candidatura sem viabilidade pode significar mais um desgaste. Ao apoiar Thor Dantas, o partido se reposiciona, garante espaço em uma possível gestão e ainda preserva sua influência no debate estadual.

O fato é que, se confirmada, a decisão marca o fim de uma era: a primeira eleição em mais de quatro décadas em que o PT não disputará o governo do Acre com nome próprio. Para os petistas, pode soar como renúncia. Mas, estrategicamente, pode ser a chance de sobreviver e reconstruir a unidade da esquerda.

Que fique bem claro!

O que o PT no Acre faz ao entregar a outro partido da esquerda o direito de escolher um nome para disputar o Governo em 2026 não é nenhum ato de cordialidade ou coletividade, mas a tentativa de dar uma amenizada na onda do antipetismo que tomou o estado nos últimos anos. Jorge na disputa ao Senado é umas das últimas balas do revólver!

Prestígio

A filiação do senador Márcio Bittar ao PL, nesta sexta-feira (22), em Rio Branco, será mais do que um ato partidário: promete ser uma demonstração de prestígio político nacional. Para marcar presença no evento, uma lista de senadores e deputados federais de outros estados já confirmou presença, reforçando que o parlamentar acreano consolidou trânsito livre nos principais corredores do poder em Brasília.

Bittar, que ganhou projeção nacional ao ser relator do Orçamento Geral da União durante o governo Jair Bolsonaro — função de peso, que o colocou entre os parlamentares mais influentes do Congresso —, agora capitaliza esse espaço político em favor de sua trajetória no Acre.

Silêncio que fala alto

Na Câmara de Rio Branco, o episódio do pedido de afastamento do superintendente da RBTrans, Clendes Vilas Boas, acusado de assédio moral, revelou mais que um racha político: expôs também uma escolha que pegou mal.

A vereadora Lucilene Vale preferiu não assinar o requerimento. O detalhe é que ela, ao lado de Elzinha Mendonça, forma a dupla feminina do Legislativo municipal. E justamente por isso o gesto (ou a ausência dele) ganhou peso político e simbólico.

Nos corredores, o comentário é de que a decisão deixou Lucilene isolada. E a colega Elzinha não perdeu a oportunidade de dar uma alfinetada pública: “cada um sabe as consequências das suas decisões”.

O caso é que, em situações como essa, silêncio também fala — e fala alto.

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