Deputados em alerta: medo de ‘tsunami eleitoral’ e renovação total em 2026 já ronda a Aleac

Nos corredores, há quem reconheça que o mandato ficou aquém da visibilidade necessária — e que a próxima eleição será a mais difícil dos últimos tempos

Na Assembleia Legislativa, o clima é de alerta. Deputados da atual legislatura já começaram a fazer contas e, entre quatro paredes, o temor é um só: que em 2026 aconteça na Aleac o mesmo movimento que surpreendeu a Câmara Municipal de Rio Branco em 2024, quando mais de 60% das cadeiras trocaram de dono.

Deputados no plenário da Aleac/Foto: Reprodução

Parlamentares admitem que a régua do eleitor está mais alta. O recado das urnas na capital deixou claro: não basta só marcar presença na Casa ou distribuir notas em datas comemorativas. O eleitor, mais atento, acompanha redes sociais, cobra posicionamento em votações e não perdoa ausência de trabalho visível.

Nos corredores, há quem reconheça que o mandato ficou aquém da visibilidade necessária — e que a próxima eleição será a mais difícil dos últimos tempos. A avaliação é que “ou mostra serviço agora ou não volta”.

Essa percepção tem mexido no ritmo da Aleac.

Alguns deputados, antes discretos, intensificaram agendas no interior, ampliaram postagens nas redes e passaram a dar entrevistas com mais frequência. Outros, porém, ainda apostam no velho modelo de bastidores, correndo o risco de repetir o que aconteceu com vereadores da capital: ver a cadeira escapar sem nem perceber.

O 2026 começou antes da hora no Acre. E o medo da renovação virou motor de quem não quer virar estatística de uma legislatura só.

Não deixa passar mais nada

Basta olhar para o episódio do pedido de afastamento do superintendente da RBTrans, Clendes Villas Boas, para entender como anda o humor do eleitor. Os próprios vereadores da base perceberam que votar contra não pegaria bem diante de quem os elegeu. Resultado: contrariaram o próprio prefeito para tentar limpar a barra.

Apenas a vereadora Lucilene Vale manteve o voto contra o afastamento — e acabou virando alvo de críticas nas redes sociais. O recado é claro: o eleitor acompanha de perto, cobra coerência e não deixa passar mais nada.

Mesmo com pressão

O prefeito Tião Bocalom tentou minimizar o constrangimento político depois que vereadores de sua própria base votaram a favor do afastamento de Clendes Villas Boas da RBTrans. Disse que a Câmara tem “sua maneira de lidar com as coisas” e reforçou que os poderes precisam ser independentes. Por ora, Bocalom deve esperar o desenrolar do caso e deixar para a Justiça o ultimato. Até lá, mesmo sob forte pressão, Clendes permanece no cargo.

Na rua!

Anota aí: Jorge Viana, presidente da Apex, não esconde mais que já deu o start na sua campanha ao Senado. Nos últimos dias, o petista apareceu em uma série de vídeos nas redes sociais circulando pelo centro de Rio Branco, conversando com populares e até destacando curiosidades da capital. O movimento foi lido por aliados como um sinal claro de que a pré-campanha já está oficialmente na rua.

Estreitando relações

A vice-governadora Mailza Assis tem mostrado que também sabe jogar no tabuleiro das relações internacionais. Em agenda com o presidente do Peru, reforçou a importância da rota interoceânica que liga o Brasil ao país vizinho, construída pelos chineses e com passagem estratégica pelo Acre. O encontro serviu para estreitar laços diplomáticos e políticos — mais um ponto para Mailza, que já se movimenta de olho na árdua disputa pelo Governo em 2026.

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