O trio fiel: Bittar, Bocalom e Ulysses seguem como último bastião do bolsonarismo no Acre

Enquanto outros políticos acreanos, que se elegeram surfando na popularidade de Bolsonaro, já colocaram o pé fora dessa canoa, os três continuam remando na contracorrente

No último domingo (7), em Rio Branco, ficou evidente quem ainda não abandonou o barco do bolsonarismo no Acre — mesmo depois que a embarcação começou a fazer água. O ato “Reaja Brasil”, que pediu anistia aos presos do 8 de janeiro e protestou contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelou a trincheira fiel formada por três nomes: o senador Márcio Bittar, o prefeito Tião Bocalom e o deputado federal Coronel Ulysses.

Manifestação bolsonarista no Calçadão da Gameleira/Foto: Juan Diaz/ContilNet

Enquanto outros políticos acreanos, que se elegeram surfando na popularidade de Bolsonaro, já colocaram o pé fora dessa canoa, os três continuam remando na contracorrente e sustentando o discurso do “Bolsonaro livre”.

O dado curioso é que o Acre foi o estado que proporcionalmente mais deu votos ao ex-presidente nas últimas duas eleições. Ou seja, o bolsonarismo não é um detalhe periférico da política local: é parte estruturante. Mas, na prática, quando o cerco jurídico e político se apertou, a maioria preferiu mudar de rota para não afundar junto.

O trio Bittar, Bocalom e Ulysses faz o movimento inverso: mantêm o discurso inflamado e se apresentam como guardiões da fidelidade política a Bolsonaro — um ativo que, mesmo em queda nacional, ainda ecoa entre parte significativa do eleitorado acreano.

A aposta é arriscada. Se o bolsonarismo sobreviver e se reinventar, eles ganham capital político como “os fiéis até o fim”. Se naufragar de vez, viram lembrança de um projeto que já não encontra mais vento para soprar as velas.

Mas, por enquanto, no tabuleiro acreano, o recado de domingo foi claro: no meio de tanta deserção, três nomes decidiram continuar hasteando a bandeira do bolsonarismo 100%.

Sabe exatamente o que faz

No mesmo 7 de setembro em que o trio bolsonarista do Acre mostrou fidelidade total a Bolsonaro, o governador Gladson Cameli deixou claro que joga em outro tabuleiro. Ele optou por não participar do ato “Reaja Brasil” e vem afinando a relação com o governo Lula — um movimento pragmático, já que o Acre depende quase integralmente de recursos federais.

Gladson não esconde que seu projeto é 2026. Já sinalizou que seu candidato à presidência será Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e trabalha para se descolar de alas consideradas mais radicais da direita.

Puxão de orelha no PL de Rio Branco

Os vereadores do PL em Rio Branco levaram um puxão de orelha neste 7 de setembro. Nenhum deles apareceu no início do ato “Reaja Brasil”, na Gameleira, e foi preciso o prefeito Tião Bocalom ligar um por um para cobrar presença. Pouco tempo depois, os três surgiram no local — até mesmo um que estava doente fez questão de marcar presença.

PL mira 2026 com boas perspectivas no Acre

Independente dos exageros ou do extremismo que rondam o bolsonarismo, o PL deve chegar forte em 2026 no Acre. O partido já se organiza para apresentar uma chapa competitiva tanto para a Assembleia Legislativa quanto para o Congresso Nacional.

A expectativa é montar uma lista robusta de candidatos, com chances reais de ampliar a bancada estadual e garantir representação consistente em Brasília. Além disso, a reeleição do senador Márcio Bittar desponta como uma das apostas mais seguras da sigla: ele aparece bem colocado nas pesquisas iniciais e tem a vantagem de ser um dos principais porta-vozes do bolsonarismo no estado.

O recado do PL é claro: em 2026, o partido quer sair das urnas como protagonista da política acreana.

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