Acre se destaca no mercado de carbono e pode arrecadar milhões com redução do desmatamento até 2030

Estado firma acordo com banco internacional e mira reduzir em 50% o desmatamento até 2027, podendo gerar até 50 milhões de créditos de carbono

O Acre consolida-se como um dos estados mais avançados do país na implementação do REDD+ Jurisdicional (JREDD+), modelo que remunera governos estaduais pela redução comprovada do desmatamento e da degradação florestal. Segundo estimativas do Earth Innovation Institute, os estados da Amazônia Legal podem gerar entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões em receitas até 2030 com a venda desses créditos — e o Acre está entre os que mais se destacam nesse cenário.

Acre se destaca no mercado de carbono e pode arrecadar milhões com redução do desmatamento até 2030/Foto: Reprodução

Em agosto, o governo do Acre firmou um acordo com o banco internacional Standard Chartered para a comercialização dos créditos de carbono jurisdicionais gerados no estado ao longo de cinco anos. O contrato é considerado um passo importante na consolidação da política climática acreana e reforça o pioneirismo do estado, que foi o primeiro da Amazônia a desenvolver um programa desse tipo ainda em 2012, com o REDD Early Movers, iniciativa financiada pelos governos da Alemanha e do Reino Unido.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente do Acre, Leonardo Carvalho, em entrevista ao jornal Valor Econômico, o estado traçou uma meta ambiciosa: reduzir o desmatamento em 50% até 2027, sendo que 25% dessa meta já foram atingidos no primeiro ano. A expectativa é que o Acre possa gerar entre 30 milhões e 50 milhões de créditos de carbono até 2030, cada um representando uma tonelada de CO₂ que deixou de ser emitida na atmosfera.

Secretaria de Meio Ambiente do Acre completa 38 anos como referência na implementação de políticas públicas e conservação ambiental

Leonardo Carvalho é secretário de Meio Ambiente/Foto: Reprodução

“A lógica é de que os recursos do REDD+ jurisdicional sejam aplicados não apenas em ações de fiscalização, mas integrados às políticas públicas do estado, criando um círculo virtuoso de redução das emissões e geração de renda”, afirmou Carvalho ao Valor Econômico.

O avanço do Acre ocorre em meio a um movimento mais amplo na Amazônia Legal. Estados como Tocantins, Pará e Mato Grosso também estruturam políticas semelhantes e já negociam seus créditos de carbono com empresas e instituições financeiras internacionais. Juntos, eles podem emitir cerca de 100 milhões de créditos até 2026, com receita estimada em US$ 1,5 bilhão — valor superior ao total de doações do Fundo Amazônia desde 2008.

Especialistas afirmam que o REDD+ Jurisdicional marca uma nova etapa na política de conservação da floresta. A diretora da iniciativa Race to Belém, Natália Renteria, destacou ao Valor Econômico que o mecanismo alia proteção ambiental e desenvolvimento econômico:

“O Brasil já fez muito com ações de comando e controle, mas agora é preciso criar incentivos econômicos reais para recompensar os estados pelos esforços de proteger as florestas.”

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