Número de médicos no Acre dobra em 14 anos, mas interior ainda sofre com escassez de profissionais

De acordo com o levantamento, 52% dos médicos estão concentrados nas capitais, que abrigam apenas 23% da população

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O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou a nova Demografia Médica e apontou que o número de médicos no país aumentou de 304.406 para 575.930 entre 2010 e 2024, um crescimento de 89,19%. Apesar do avanço, o estudo revela que a distribuição dos profissionais continua desigual entre as regiões brasileiras.

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O número de médicos dobrou entre 2010 e 2024/Foto: reprodução

De acordo com o levantamento, 52% dos médicos estão concentrados nas capitais, que abrigam apenas 23% da população. Já os municípios do interior, onde vivem 77% dos brasileiros, contam com apenas 48% dos médicos. A disparidade é mais acentuada nas regiões Norte e Nordeste.

O presidente do CFM, José Hiran Gallo, afirmou que o problema vai além dos salários e está ligado à falta de políticas de incentivo à fixação de profissionais fora dos grandes centros. Ele citou o Acre como exemplo dessa desigualdade.

“Hoje, quase 75% da população brasileira depende do SUS e 25%, da saúde suplementar. Enquanto isso, há regiões em que os médicos simplesmente não ficam. Rondônia, por exemplo, tem 12 faculdades de medicina, mas, assim que formados, os médicos vão para outros lugares. No Acre, a mesma coisa: quase 70% dos médicos formados se deslocam. Por quê? Porque o Estado não promove ações de incentivo”, disse Gallo em entrevista ao Estadão.

No Acre, a quantidade de médicos dobrou passando de 750 em 2010 para 1.542 em 2024. Com isso, a densidade médica estadual também aumentou, saindo de 0,92 para 1,82 profissionais por mil habitantes.

O levantamento mostra que o estado conta atualmente com 860 médicos e 682 médicas. A média de idade dos profissionais é de 43 anos, com tempo médio de formação de 14,69 anos. A maioria dos médicos, 1.164 (75%), atua em Rio Branco, enquanto 378 trabalham no interior.

A capital concentra ainda a maior densidade médica do Acre, com 3,13 profissionais por mil habitantes, número quatro vezes superior ao registrado nos demais municípios, onde a média é de 0,80 por mil habitantes.

O CFM também aponta que a maior parte dos médicos acreanos não possui Registro de Qualificação de Especialidade Médica (RQE): 942 não são especialistas, enquanto 600 têm o registro.

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