Integrantes de bandas e fanfarras de Sena Madureira denunciaram que ficaram de fora da viagem para o campeonato nacional de bandas em Macaé (RJ) após uma mudança na lista de embarque que teria incluído pessoas sem vínculo com a corporação. O grupo, formado por 23 músicos, afirma ter sido surpreendido já em Rio Branco, onde aguardava o ônibus que seguiria para o Sudeste.

Grupo ensaia três meses e denuncia alteração em lista antes da viagem/Foto: Cedida
O participante Gustavo relatou que a mobilização envolvia bandas de diferentes municípios. “Reuniram bandas de alguns municípios pra gente participar de um campeonato nacional no Rio de Janeiro. Era pra levar o nome do estado pela nossa federação, a ABANFACRE. A gente ensaiou três meses direto, investiu, gastou, e estávamos todos prontos para ir”, disse.
Lista alterada teria tirado vagas do grupo
Gustavo explicou que inicialmente três ônibus fariam o transporte das delegações. Um deles, destinado ao excedente, apresentou problemas mecânicos. Mesmo assim, segundo ele, os dois veículos restantes comportariam todos os participantes caso a relação de passageiros não tivesse sido modificada.
A denúncia é de que a lista final incluía pessoas que não faziam parte das bandas. “Quando chegamos em Rio Branco, descobrimos que mudaram a lista. Tinha pai, mãe, filho, coordenador… gente que não fazia parte da banda. E isso tirou nossas vagas”, contou.

Gustavo explicou que inicialmente três ônibus fariam o transporte das delegações/Foto: Reprodução
Os integrantes de Sena Madureira passaram o dia aguardando uma solução. Entre as críticas do grupo, está também o fato de que um dos ônibus teria seguido praticamente apenas com músicos de Cruzeiro do Sul. “Apoiamos eles, divulgamos, incentivamos. E quando chegou a hora, um ônibus inteiro foi só com a galera deles”, disse Gustavo.
Por volta das 17h, a constatação definitiva: não haveria mais espaço. “Às nove da noite, todo mundo estava lá dentro e nós do lado de fora. Tivemos que voltar”, afirmou.
Posição da FEM
Procurada pela reportagem, a Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) informou, por meio de assessoria, que não tem responsabilidade sobre o trecho Rio Branco–Rio de Janeiro. Segundo o órgão, uma associação de bandas e fanfarras solicitou apenas transporte no trecho Sena Madureira–Rio Branco, pedido que foi atendido. A FEM destacou que disponibilizou uma van para conduzir os participantes até a capital, mas não participou da organização da continuação da viagem.
Maestro de Sena Madureira agradece apoio, mas lamenta falta de vagas
O maestro Rondon, da banda Guerreiros Musicais de Sena Madureira, também se pronunciou sobre o episódio. Ele iniciou agradecendo à FEM pelo suporte. Apesar do reconhecimento, o maestro detalhou que o grupo foi prejudicado pela indisponibilidade do terceiro ônibus, que levaria o excedente de músicos. “Esse ônibus extra teve uma falha mecânica e não ficou pronto a tempo. E não adiantaria sair sem garantia de chegar ao campeonato, porque nosso interesse não era passear; era representar o estado e buscar o título.”

Integrantes de bandas e fanfarras de Sena Madureira denunciaram que ficaram de fora da viagem para o campeonato nacional de bandas em Macaé/Foto: Ilustrativa
Rondon também destacou que o município não ofereceu suporte institucional, mas elogiou o apoio da Associação Arco-Íris e de pais e patrocinadores que acreditaram no trabalho. Segundo ele, durante o embarque, parte das vagas acabou ocupada por pessoas que não iriam se apresentar. “Teve gente que não iria tocar e se beneficiou dos ônibus cedidos pela Secretaria de Educação Estadual”, comentou.
Ele mencionou que, caso houvesse interesse do poder público, uma alternativa aérea poderia ser viável, mas reconheceu que isso está fora das possibilidades dos alunos.
Retorno com sensação de frustração
Depois da confirmação de que não viajariam, o grupo retornou a Sena Madureira na madrugada desta quarta-feira (26). “Chegamos por volta de 12h30, cansados e frustrados. Passamos um dia inteiro estressante, tentando resolver a situação. Os meninos ficaram muito apreensivos”, relatou o maestro.
Mesmo diante da frustração, Rondon encerrou deixando agradecimentos. “Muito obrigado a todos que nos apoiaram e confiaram no nosso trabalho. Não estou procurando culpados, apenas esclarecendo. Agradeço ao professor Minoro, à FEM, ao Rômulo, ao professor Anderson e a todos que tentaram nos ajudar.”
Posicionamento da ABANFACRE
O presidente da Associação de Bandas e Fanfarras do Acre (ABANFACRE), Anderson Oliver, também se pronunciou sobre o episódio e afirmou que a equipe buscou todas as alternativas possíveis para evitar que os integrantes de Sena Madureira ficassem de fora da viagem. Segundo ele, a tentativa de solucionar o problema esbarrou na indisponibilidade de transporte.
“Eu, enquanto presidente da Associação, junto com os membros e até mesmo o maestro de Sena Madureira, buscamos todas as opções e meios para resolver o problema, porém não conseguimos porque os ônibus que fazem viagem na nossa capital já estavam comprometidos com outras demandas”, explicou.

O presidente lamentou o transtorno e afirmou que a associação permanece empenhada em apoiar todas as bandas do estado/Foto: Reprodução
Anderson destacou que a frota disponível já estava totalmente ocupada, incluindo veículos destinados a viagens internacionais. “Inclusive sairão 34 ônibus de Rio Branco para Lima, no Peru. Ficou impossível conseguir outro transporte”, disse.
Ele também reforçou que o veículo responsável por levar o grupo excedente sofreu uma pane séria. “O ônibus que quebrou levaria mais de três dias para ser consertado, e não haveria tempo suficiente para chegar ao local da apresentação. O veículo saiu para revisão e apresentou um problema muito sério, impossibilitando a saída da cidade.”
O presidente lamentou o transtorno e afirmou que a associação permanece empenhada em apoiar todas as bandas do estado. “Ficamos sensibilizados pelo acontecido. Sempre busco fomentar e fazer de tudo para que dê certo para todos, mas incidentes acontecem, e dessa vez realmente não havia como resolver.”
