Quando a DOR vira doença: a síndrome do coração partido

Você já sentiu uma dor tão forte que parecia quebrar o peito? Não falo de poesia, mas de algo real, físico, capaz de levar alguém ao hospital. Helena, 62 anos, descobriu isso da forma mais dura: depois de perder o marido, acordou com uma dor intensa no peito. Pensou: “É um infarto!”. Mas não era. Era a Síndrome do Coração Partido.

Sim, ela existe. E não é exagero. Essa condição, chamada pelos médicos de Cardiomiopatia de Takotsubo, surge quando o coração, abalado por um estresse extremo, perde temporariamente sua força de bombeamento. O nome vem de um vaso japonês usado para capturar polvos, porque o formato do coração nessa fase lembra esse objeto. Poético? Talvez. Mas perigoso? Com certeza.

Não é só sobre amor

Engana-se quem pensa que essa síndrome só aparece depois de uma paixão desfeita. Ela pode surgir após traições, decepções, frustrações profundas, perdas familiares, crises financeiras ou até boas notícias inesperadas. Tudo que abala intensamente nossas emoções pode ser um gatilho. O coração sente e responde.

Por que isso acontece?

Imagine seu corpo inundado por adrenalina após uma notícia devastadora. Esse excesso de hormônios do estresse “atordoa” o músculo cardíaco. Resultado: dor no peito, falta de ar, exames alterados, tudo igual a um infarto, mas sem artérias entupidas.

Quem corre mais risco?

Mulheres, principalmente após a menopausa, representam 83% dos casos.

A mortalidade chega a 6,5%, podendo ser maior em homens.

E atenção: durante a pandemia, os casos quadruplicaram. O isolamento, o medo e as perdas rápidas foram gatilhos poderosos.

Muito além do coração: é sobre nós

Essa síndrome é um recado claro: a mente e o corpo conversam o tempo todo. Quando a vida nos golpeia, seja uma perda, uma traição, uma crise, o coração responde. E no pós-COVID, isso ficou ainda mais evidente. Milhões perderam pessoas queridas sem despedida. Pesquisas mostram que 11% dos enlutados desenvolvem luto prolongado. Não é só tristeza: é saúde física em risco.

E como cuidar do coração e da mente?

Não existe fórmula mágica, mas há caminhos:

  • Fale sobre sua dor. Terapia não é luxo, é cuidado.
  • Respire, medite, caminhe. Pequenos rituais acalmam a mente.
  • Construa redes de apoio. Amigos, família, grupos, ninguém deve enfrentar isso sozinho.
  • Observe sinais: tristeza que não passa, insônia, ansiedade intensa. Procure ajuda.

No fim, o coração não é só um músculo. É também um espelho das nossas emoções. Em tempos de perdas rápidas e abraços adiados, cuidar da mente é tão vital quanto medir a pressão. Porque, sim, a dor pode partir o coração, mas também pode ser curada com afeto, atenção e tempo.

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