Acre entra em alta incidência de SRAG no país, alerta boletim da Fiocruz

A análise se refere à Semana Epidemiológica 3, que compreende o período de 18 a 24 de janeiro.

A nova edição do Boletim InfoGripe, divulgada nesta quinta-feira (29) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica que o Acre está entre os estados com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de risco ou alto risco, com tendência de crescimento nas últimas semanas. O cenário contrasta com o panorama nacional, que aponta manutenção da queda dos casos de SRAG na maioria dos estados brasileiros.

Dados são da Fiocruz/Foto: Reprodução

A análise se refere à Semana Epidemiológica 3, que compreende o período de 18 a 24 de janeiro. Segundo a Fiocruz, o aumento acelerado de SRAG no Acre segue sendo impulsionado principalmente pela circulação da influenza A, além do vírus sincicial respiratório (VSR), que afeta sobretudo crianças pequenas.

De acordo com a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo InfoGripe, a situação observada no Acre é semelhante à do Amazonas. “O aumento acelerado de SRAG no Amazonas e no Acre continua sendo impulsionado pela influenza A, atingindo principalmente jovens, adultos e idosos, e pelo vírus sincicial respiratório, que afeta as crianças pequenas”, afirmou.

Além do Acre, os estados do Amazonas e de Roraima também apresentam incidência de SRAG em nível de risco ou alto risco, com crescimento na tendência de longo prazo, considerando as últimas seis semanas. Entre as capitais brasileiras, apenas quatro registraram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco com tendência de crescimento: Boa Vista (RR), João Pessoa (PB), Manaus (AM) e Rio Branco (AC).

No caso de Roraima, Portella explicou que o crescimento dos casos de SRAG está concentrado nos idosos, mas ainda não há dados laboratoriais suficientes para identificar o vírus predominante. A pesquisadora também destacou que há sinais iniciais ou manutenção de aumento de hospitalizações por VSR na Paraíba, influenza A no Pará e Covid-19 no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, ainda em níveis considerados baixos.

Diante do avanço da influenza A em estados do Norte, a Fiocruz reforça a importância da vacinação dos grupos prioritários. “É essencial que a população prioritária da região, como indígenas, idosos e pessoas com comorbidades, se vacine o quanto antes contra o vírus. A vacina contra a influenza é bastante segura e é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos”, destacou Portella.

Em nível nacional, o boletim aponta que a SRAG apresenta sinal de queda tanto na tendência de longo prazo, referente às últimas seis semanas, quanto na de curto prazo, considerando as últimas três semanas. No ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 3.211 casos de SRAG no país. Desses, 863, o equivalente a 26,9%, tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Outros 1.235 casos, ou 38,5%, apresentaram resultado negativo, enquanto ao menos 866, cerca de 27%, ainda aguardam resultado.

Entre os casos positivos registrados neste ano, 19,9% foram causados por influenza A, 2,0% por influenza B, 12,3% por vírus sincicial respiratório, 31,9% por rinovírus e 21,7% por Sars-CoV-2, causador da Covid-19. Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 20,1% de influenza A, 10,7% de VSR, 32,6% de rinovírus e 20,4% de Sars-CoV-2.

Em relação aos óbitos, no mesmo período, a presença dos vírus entre os casos positivos foi de 28,3% de influenza A, 41,6% de Sars-CoV-2, 15,9% de rinovírus, 3,5% de influenza B e 1,8% de vírus sincicial respiratório.

A Fiocruz também destaca que a incidência e a mortalidade semanais médias de SRAG, nas últimas oito semanas epidemiológicas, seguem concentradas nos extremos das faixas etárias. A maior incidência ocorre entre crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente entre os idosos. No caso específico da influenza A e da Covid-19, tanto a incidência quanto a mortalidade apresentam maior impacto nos idosos, enquanto outros vírus, como rinovírus e metapneumovírus, seguem associados principalmente aos casos em crianças pequenas.

PUBLICIDADE