Acreana volta a ganhar destaque nacional após criar IA para identificar madeiras da Amazônia

Tecnologia desenvolvida no Acre ajuda a combater ilegalidades e amplia educação ambiental

Neta de seringueiro, a acreana Fernanda Onofre transformou a herança familiar ligada à floresta em uma startup de base tecnológica voltada à identificação de espécies de madeira da Amazônia. À frente da WoodLab, a empreendedora utiliza inteligência artificial para auxiliar no combate a ilegalidades no setor madeireiro e ampliar o acesso à educação ambiental. O faturamento projetado da empresa para este ano é de R$ 250 mil.

Ela foi destaque nesta semana em uma reportagem publicada pela revista Istoé.

Formada em Engenharia Civil pela UniNorte, Fernanda enfrentou dificuldades para se inserir no mercado de trabalho, marcado majoritariamente pela presença masculina. Para ganhar experiência, atuou por mais de dois anos em obras sem remuneração, aprendizado que considerou decisivo para sua formação profissional. Após se formar, trabalhou na prefeitura de Ji-Paraná, em Rondônia, onde chegou a chefiar a produção em projetos de pavimentação urbana.

Tecnologia desenvolvida no Acre ajuda a combater ilegalidades e amplia educação ambiental/Foto: Reprodução

O contato mais direto com a tecnologia veio em 2022, quando se mudou para São Paulo e passou a atuar na área comercial de uma empresa de chatbots. A virada de chave ocorreu com um edital do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), que buscava soluções tecnológicas sustentáveis para a Amazônia. A partir disso, Fernanda reuniu familiares e parceiros para desenvolver uma ferramenta capaz de identificar espécies de madeira por meio de imagens enviadas pelo WhatsApp.

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O projeto evoluiu após uma parceria com uma grande madeireira, que possibilitou uma prova de conceito bem-sucedida, inclusive na diferenciação de espécies visualmente semelhantes. A demanda do setor e a carência de soluções tecnológicas impulsionaram a criação de um banco de dados próprio e a consolidação da startup.

Projeto com inteligência artificial alcança alta precisão na identificação de espécies/Foto: Reprodução

Em 2025, a WoodLab recebeu recursos por meio de prêmios e editais, somando valores da Meta, Finep e incentivos à pesquisa. Atualmente, a plataforma reúne cerca de 2 mil imagens catalogadas, com 98% de precisão na identificação de 16 espécies, sendo utilizada por madeireiras por meio de planos de assinatura.

Além do uso comercial, a tecnologia passou a ter função educativa. A startup criou uma assistente virtual utilizada em eventos como a ExpoAcre, que dialoga com o público sobre a floresta amazônica e a região Norte. O objetivo agora é avançar na rastreabilidade da madeira, acompanhando sua origem desde a floresta até o mercado, e ampliar parcerias institucionais.

Durante o desenvolvimento do projeto, Fernanda também redescobriu sua própria história familiar, ao saber que o avô era seringueiro e participou de reuniões com Chico Mendes. A descoberta mostra o sentimento de pertencimento e deu novo significado ao trabalho desenvolvido pela startup, que une tecnologia, conservação ambiental e identidade amazônica.

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