O coronel Regis Braguin, comandante-geral da Polícia Militar de Rondônia, foi acusado de violência doméstica e de dirigir embriagado utilizando um veículo oficial. As denúncias vieram a público no dia 29 de dezembro, durante uma sessão extraordinária da Assembleia Legislativa de Rondônia.
A acusação de violência doméstica foi apresentada pelo policial Fernando Silva, durante uma audiência pública que discutia punições administrativas aplicadas a praças da corporação em meio a conflitos salariais. O caso ganhou repercussão no plenário após o deputado Ismael Crispin mencionar a existência de um boletim de ocorrência envolvendo o comandante.
“Essa Casa recebeu uma denúncia e é necessária uma manifestação. O que as mulheres do nosso estado estão pensando agora, quando quem tem a obrigação de proteger possui um registro dessa natureza?”, questionou o parlamentar. Após o pronunciamento, outros deputados também cobraram providências administrativas do governador Marcos Rocha. Apenas um deputado saiu em defesa de Braguin, minimizando a denúncia e afirmando que o episódio teria ocorrido “no calor da emoção”.

Comandante Geral da PM/RO Régis Braguin, inimigo declarado dos camponeses. Foto: PM/RO
Histórico de atuação controversa
Ao longo de 2025, a gestão de Regis Braguin à frente da PM foi marcada por forte atuação em conflitos agrários no estado, especialmente contra a Liga dos Camponeses Pobres (LCP). O comandante é conhecido por declarações públicas em que classifica o movimento como “terrorista” e o compara a facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em novembro, durante a Operação “Godos”, tropas do Batalhão de Operações Policiais Especiais, subordinadas ao comando-geral da PM, atuaram na região de Nova Mutum Paraná, onde um camponês morreu e sua esposa ficou ferida. Em agosto, outra operação em área rural resultou na morte de um segundo trabalhador do campo e na destruição de barracos.
Dados de letalidade policial
Dados do Observatório Estadual de Segurança Pública indicam que, entre janeiro e novembro de 2025, 35 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais em Rondônia, contra 7 no mesmo período de 2024, um aumento de cerca de 400%.
Em nota pública, a LCP afirmou que Braguin representa “aquilo que há anos é denunciado” sobre a atuação policial no estado. Procurado para comentar as acusações, o comandante-geral não se manifestou até o momento.
Fonte: AND
✍️ Redigido por ContilNet
