Empresa ligada a médico acusado mantém contratos milionários

Profissional preso por matar colegas representa grupo com vínculos a OS investigada

A empresa representada pelo médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, acusado de matar dois colegas de profissão na noite da última sexta-feira (16/1), mantém contratos com uma organização social de saúde citada em um esquema de propina investigado pela Polícia Federal.

Carlos Alberto é representante da Cirmed Serviços Médicos, que firmou contratos milionários com a Fundação ABC, responsável pela administração de hospitais em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Reprodução/Redes Sociais

OS foi alvo de operação da PF

A Fundação ABC foi alvo da Operação Estafeta, deflagrada pela Polícia Federal em julho de 2025. À época, o então prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), chegou a ser afastado do cargo por decisão judicial.

Embora a Cirmed Serviços Médicos não tenha sido formalmente citada na investigação, a Polícia Federal apontou que recursos provenientes de contratos da Fundação ABC eram desviados e distribuídos entre servidores públicos e agentes políticos.

Segundo a PF, a OS, apesar de ser uma entidade privada sem fins lucrativos, administra recursos públicos por meio de contratos de gestão firmados com a prefeitura, o que exige rígido controle e transparência.

Contratos somam milhões de reais

Nos últimos anos, a Cirmed firmou diversos contratos com a Fundação ABC para administrar unidades hospitalares. Em março de 2024, por exemplo, a empresa assinou um contrato para atuar no Centro Obstétrico e de Parto Normal, com repasse anual de R$ 6,8 milhões.

Já em maio do mesmo ano, outro contrato foi firmado para prestação de serviços no Hospital de Clínicas Municipal, prevendo o pagamento de R$ 4 milhões por ano. Todos os contratos foram assinados por Carlos Alberto na condição de representante da empresa.

Investigação aponta operadores do esquema

Na representação que deu origem à Operação Estafeta, a Polícia Federal afirmou que os valores oriundos dos contratos eram supostamente arrecadados e distribuídos por operadores ligados ao então prefeito.

“Paulo Iran e Antonio Rene são apontados como agentes centrais de arrecadação e distribuição dos recursos, operando uma grande rede de contatos e um expressivo fluxo financeiro”, afirmou a PF no documento, citando ainda a coordenação atribuída a Marcelo Lima Fernandes.

Empresa fala em “fato pessoal”

Após o duplo homicídio, a Cirmed Serviços Médicos divulgou nota afirmando que o episódio envolvendo Carlos Alberto ocorreu em âmbito estritamente pessoal e não representa os valores da empresa.

“A empresa esclarece que o ocorrido não corresponde aos valores e princípios da instituição. Fatos pessoais e isolados do sócio não se confundem com suas atividades institucionais, assistenciais ou contratos”, informou.

Disputa por contratos pode ter motivado crime

De acordo com o delegado Andreas Schiffmann, responsável pela investigação, Carlos Alberto e uma das vítimas, Luís Roberto Pellegrini Gomes, eram donos de empresas concorrentes na área de gestão hospitalar.

“Eles disputavam contratos”, afirmou o delegado, sem detalhar quais acordos estariam em jogo. O terceiro médico morto, Vinicius dos Santos Oliveira, seria funcionário de Luís Roberto e estava com ele no restaurante no momento do crime.

Crime foi registrado por câmeras

Câmeras de segurança flagraram o início da discussão dentro de um restaurante de luxo em Alphaville Plus, em Barueri. As imagens mostram Carlos Alberto cumprimentando as vítimas antes de iniciar uma briga física.

Após o confronto, gravações externas mostram o médico se aproximando por trás das vítimas no estacionamento e efetuando os disparos. Ele foi preso em flagrante.

Segundo a decisão que decretou a prisão preventiva, guardas civis municipais haviam sido acionados antes do crime após denúncia de que havia um homem armado no local. Na abordagem inicial, nenhuma arma foi encontrada. Momentos depois, no entanto, o médico retornou armado e atirou. Uma testemunha relatou que a arma teria sido entregue a ele por uma mulher.

O caso segue sob investigação.


Fonte: Polícia Federal / Polícia Civil de SP / imprensa nacional
✍️ Redigido por ContilNet

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