Na Rota do Céu: onde as raízes permanecem e os horizontes se ampliam

Aqui no Acre, a gente aprende cedo que o mundo parece longe. As capitais, os grandes centros, os destinos que aparecem nas propagandas… tudo exige mais tempo, mais planejamento, mais coragem

Viajar nem sempre começa quando o avião decola.

Prefiro pensar que ela começa bem antes, quando a gente olha para o mapa, suspira fundo e pensa: será que dá?

Aqui no Acre, a gente aprende cedo que o mundo parece longe. As capitais, os grandes centros, os destinos que aparecem nas propagandas… tudo exige mais tempo, mais planejamento, mais coragem. Talvez seja justamente por isso que viajar, para nós, nunca foi algo banal. Sempre teve um peso maior. Um significado mais profundo.

Eu nasci e cresci no Acre. Vivi aqui toda a minha infância e adolescência e só saí do meu estado pela primeira vez depois dos 18 anos. Foi quando comecei a conhecer outros lugares, outras culturas, outras formas de viver. Carrego raízes ribeirinhas, sou aquela acreana do “pé rachado”, com muito orgulho da terra de onde venho. E foi justamente mantendo essas raízes que descobri algo importante: era possível ir além sem deixar de ser quem eu sou.

Na Rota do Céu nasce desse olhar. De quem acredita que viajar não é apenas consumir lugares famosos, mas descobrir caminhos que fazem sentido, para quem vai e para quem fica.

Viajar fora da rota tradicional é escolher destinos que não aparecem sempre nas listas mais óbvias. É dar atenção às cidades pequenas, às culturas locais, às histórias que não cabem em um cartão-postal. É entender que o Brasil vai muito além do eixo Rio–São Paulo e que há beleza, identidade e potência espalhadas por todos os cantos, inclusive, e principalmente, na Amazônia.

O Acre, tantas vezes visto como “fim de linha”, é, na verdade, começo de muitas rotas. Rota de floresta viva, de saberes ancestrais, de gente que acolhe, de um turismo que pode ser mais consciente, mais humano e mais verdadeiro. Quem vem de fora se surpreende. Quem é daqui aprende, pouco a pouco, a valorizar o que sempre esteve ao redor.

Mas esta coluna não é só para quem quer conhecer o Acre.

Ela é também para o acreano que sonha em explorar o Brasil e o mundo, mesmo sabendo que o caminho é mais longo. Para quem planeja com cuidado, economiza, pesquisa, espera a oportunidade certa e, quando vai, vai inteiro.

Viajar me ensinou que conhecer outras culturas nos conecta. Nos torna pessoas mais conscientes da nossa própria existência e da existência do outro. Não melhores do que ninguém, mas mais atentos, mais humanos, mais abertos à diversidade imensa que existe no mundo. É nesse encontro que a gente cresce.

Aqui vamos falar de destinos pouco conhecidos, de experiências que marcam, de planejamento possível, de viagens que respeitam o lugar e as pessoas. Vamos falar de turismo como encontro, não como pressa. Como aprendizado, não como vitrine.

Viajar fora do óbvio é, muitas vezes, um ato de coragem.

É escolher caminhos menos iluminados, mas cheios de sentido.

É entender que não importa de onde se parte. Nenhum lugar é tão longe que seja impossível de alcançar.

É possível ir mesmo mantendo as raízes.

É possível conhecer o mundo sem deixar de ser acreano.

Com o “pé rachado” no chão da própria história e o olhar aberto para novos horizontes.

Que esta coluna seja um convite.

Para olhar o mapa com mais curiosidade.

Para enxergar o Acre como parte do centro, não dá margem.

E para lembrar que alguns dos caminhos mais bonitos não estão nas grandes avenidas, mas nas estradas que a gente aprende a abrir com calma.

Vamos fazer essa jornada juntos?

Na Rota do Céu.

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