Todo começo de ano é igual. Janeiro chega e a gente faz planos: mudar de carreira, ganhar mais dinheiro, emagrecer, realizar sonhos, casar, viajar, ter filho, iniciar a academia. É como se o ano fosse uma grande promessa de recomeço. Mas quase ninguém coloca na lista algo essencial: cuidar da própria mente.
E foi exatamente observando esse comportamento que nasceu o Janeiro Branco. Em 2014, o psicólogo mineiro Leonardo Abrahão percebeu algo curioso em seu consultório: durante boa parte do ano, a agenda seguia tranquila. Mas bastava chegar fevereiro para tudo mudar, o consultório lotava. Pessoas exaustas, frustradas, sobrecarregadas emocionalmente. Tinham planejado tudo… menos o equilíbrio emocional para sustentar esses planos.
Janeiro, então, passou a representar uma folha em branco. Um convite para escrever a própria história com mais consciência. Inspirada em campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul, a iniciativa ganhou força em todo o país e, em 2023, tornou-se Lei Federal, reforçando a urgência do tema em um Brasil que figura entre os países mais ansiosos do mundo.
A verdade é que estamos cansados. A pandemia deixou marcas profundas. Ficamos presos dentro de casa, perdemos pessoas, segurança, sentido. Saímos mais sensíveis e, ao mesmo tempo, mais duros uns com os outros. As relações ficaram rasas, o ego cresceu, valores se perderam. Amizades e Amores se tornaram descartáveis.
Recentemente, acompanhando os noticiários, me deparei com a história de um jovem de 19 anos chamado Ricardo. Ele aceitou o convite de uma amiga para fazer uma trilha no primeiro dia do ano de 2026, com a promessa de presenciar o primeiro nascer do Sol e acabou sendo abandonado no meio do caminho. A amiga passou por ele na trilha, porque ele estava mais lento. Resultado, ficou desaparecido por cinco dias. Mais, o que mais me marcou foi assistir a uma entrevista dessa jovem. Enquanto falava do “amigo”, seu semblante parecia leve demais para a gravidade do ocorrido. Chegou a dizer que jamais convidaria alguém sem preparo. E te pergunto, essa situação parece com alguma que você já vivenciou na sua vida? Abandonos e Traições? Por pessoas que você mais confiava?
Mas, esse gesto revelou muito mais do que palavras: mostrou o quanto os laços estão frágeis e o amor esfriando.
Quem não soltou a mão de Ricardo foi a família. Com fé, união e persistência, fizeram campanhas, mobilizaram apoio e não desistiram. Foram 5 dias de muita angústias, mas a primeira imagem que presenciei, foi um vídeo dele chegando a uma fazenda, bem fraco e puxando da perna, e ao seu lado tinha 3 cachorros acompanhando.
Talvez o verdadeiro sentido do Janeiro Branco seja esse: lembrar que não dá para planejar uma vida inteira sem planejar saúde emocional. Não dá para subir sozinho. E não dá para atravessar tempos duros sem apoio.
Cuidar da mente não é fraqueza.
É sobrevivência.
Sobreviva! Com sabedoria. Com Sabedoria, escolhemos certo, com quem andamos e com quem vivemos.

