Por que comer pouco não garante emagrecimento

Quando a restrição alimentar atrapalha o metabolismo e impede a perda de peso

“Estou comendo pouco e não emagreço.”

Essa é uma das frases mais comuns no consultório e uma das maiores frustrações para quem tenta perder peso. A lógica parece simples: menos comida deveria significar menos peso. Mas o corpo humano não funciona como uma calculadora.

Na prática clínica, comer pouco demais pode ser exatamente o motivo pelo qual o emagrecimento não acontece.

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Por que comer pouco pode travar o emagrecimento?

Adaptação metabólica

Quando a ingestão calórica fica muito baixa por tempo prolongado, o corpo entra em modo de economia de energia. O metabolismo reduz o gasto calórico para preservar a sobrevivência, dificultando a perda de peso.

Perda de massa muscular

Restrição alimentar sem proteína adequada leva à perda de músculo. Menos massa muscular significa menor gasto energético basal, o que torna o emagrecimento cada vez mais difícil.

Aumento de hormônios da fome

Dietas muito restritivas aumentam a grelina (hormônio da fome) e reduzem a leptina (saciedade), favorecendo episódios de compulsão e perda de controle alimentar.

Estresse fisiológico

Comer pouco é interpretado pelo organismo como ameaça. Isso eleva o cortisol, hormônio que favorece retenção de gordura, especialmente na região abdominal.

Oscilações glicêmicas

Baixa ingestão de carboidratos e fibras pode gerar hipoglicemias, cansaço, irritabilidade e maior desejo por doces e alimentos calóricos.

Falta de constância

Planos muito restritivos raramente são sustentáveis. A alternância entre “controle extremo” e “excesso” impede resultados consistentes.

O que funciona melhor para emagrecer com saúde

  • déficit calórico moderado

  • ingestão adequada de proteína

  • carboidratos de qualidade, na quantidade correta

  • fibras para saciedade e intestino

  • atividade física regular (especialmente musculação)

  • sono adequado

  • constância, não perfeição

Emagrecer exige estratégia, não punição.

O papel do acompanhamento nutricional

Cada corpo responde de forma diferente à restrição. O acompanhamento com um nutricionista é essencial para ajustar calorias, distribuição de nutrientes e rotina de acordo com a realidade e o histórico de cada pessoa.

Comer pouco não garante emagrecimento. Em muitos casos, é justamente o excesso de restrição que impede o corpo de responder.

Emagrecer de forma sustentável é ensinar o corpo a confiar novamente que não está em escassez.

Referências científicas

  1. Dulloo AG et al. Adaptive thermogenesis. Obesity Reviews, 2015.

  2. Rosenbaum M, Leibel RL. Metabolic adaptation. International Journal of Obesity, 2010.

  3. Müller MJ et al. Metabolic adaptation to caloric restriction. American Journal of Clinical Nutrition, 2015.

  4. Hall KD. Energy balance and weight regulation. The Lancet, 2012.

  5. Trexler ET et al. Dieting and hormonal adaptations. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2014.

Luana Diniz 
Foto: Clara Lis

*COLUNA NUTRIÇÃO EM PAUTA / LUANA DINIZ NUTRICIONISTA – CRN7 16302

Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre, pós-graduada em nutrição clínica esportiva. Trabalha com atendimento clínico nutricional em parceria com a loja de suplementos Be Strong Fitness e é colunista do ContilNet em assuntos sobre alimentação e sua correlação com saúde e bem-estar.

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