Por que sentimos arrepios com ASMR? A ciência dos orgasmos cerebrais

Mulher usando fones de ouvido sentindo arrepios com ASMR e relaxamento profundo.

Você já sentiu uma sensação estranha e relaxante na nuca ao ouvir sussurros, o som de alguém penteando o cabelo ou o barulho suave de embalagens sendo abertas? Se a resposta for sim, você faz parte do grupo de pessoas que sente os famosos arrepios com ASMR.

A sigla, que significa Resposta Sensorial Meridiana Autônoma (do inglês Autonomous Sensory Meridian Response), descreve esse fenômeno biológico que muitos chamam popularmente de “orgasmo cerebral”. Mas por que isso acontece?

Neste artigo (e no vídeo abaixo), explicamos a ciência por trás dessa reação e como o seu cérebro responde a esses estímulos tão específicos.

O que exatamente é o ASMR?

Embora o termo tenha se popularizado na internet na última década, a sensação dos arrepios com ASMR é uma resposta fisiológica real. Ela geralmente começa no topo da cabeça e desce pela espinha, trazendo um relaxamento profundo e, às vezes, sonolência.

Não é todo mundo que consegue sentir. Estudos indicam que pessoas capazes de vivenciar o ASMR podem ter conexões cerebrais ligeiramente diferentes, relacionadas a uma condição chamada sinestesia — onde o estímulo de um sentido (como a audição) provoca uma reação em outro (como o tato).

A química do prazer: Dopamina e Oxitocina

A principal razão pela qual sentimos arrepios com ASMR está na farmácia natural do nosso cérebro. Quando somos expostos a “gatilhos” visuais e sonoros agradáveis, nosso sistema nervoso libera um coquetel de substâncias químicas.

  1. Dopamina: Conhecida como o hormônio do prazer e da recompensa. É ela que causa a sensação de formigamento e a vontade de continuar assistindo ao vídeo.

  2. Oxitocina: Frequentemente chamada de “hormônio do amor” ou do abraço. É a substância responsável pela sensação de conforto, segurança e confiança.

Essa liberação química explica por que os vídeos de ASMR são tão eficazes para combater a insônia e a ansiedade. O cérebro entende aqueles sons como um sinal de que “está tudo bem”, desacelerando os batimentos cardíacos.

A teoria da evolução: O “Grooming” social

Cientistas evolutivos têm uma teoria fascinante sobre por que sentimos arrepios com ASMR. Acredita-se que essa sensação seja uma herança evolutiva do “grooming” (o ato de catar piolhos ou limpar o pelo) que observamos em primatas.

Quando macacos cuidam uns dos outros, eles fortalecem laços sociais e criam um ambiente de calma. Os vídeos de ASMR, com sua atenção pessoal simulada (quando o criador olha para a câmera e finge cuidar de você), enganam o cérebro humano, fazendo-o acreditar que está recebendo esse cuidado físico, ativando a mesma resposta de relaxamento dos nossos ancestrais.

Veja videos de ASMR aqui

Os gatilhos mais comuns

Para sentir os arrepios com ASMR, cada pessoa precisa de um “gatilho” (trigger) diferente. O que relaxa um, pode irritar outro. Os mais populares incluem:

  • Sussurros (Whispering): A voz suave e baixa é o gatilho mais universal.

  • Tapping: O som de unhas batendo levemente em objetos de madeira, vidro ou plástico.

  • Sons de boca (Mouth Sounds): Estalos ou sons de comer, que geram reações intensas (de amor ou ódio).

  • Crisp Sounds: O barulho de amassar papel, plástico bolha ou folhear livros.

O que a ciência diz hoje?

Ainda há muito a ser estudado, mas pesquisas recentes, como as da Universidade de Sheffield, comprovaram que quem sente arrepios com ASMR apresenta uma redução real na frequência cardíaca (cerca de 3 batimentos a menos por minuto) durante as sessões, comparável a técnicas de mindfulness.

Para aprofundar seu conhecimento sobre como os sons afetam o sistema nervoso, você pode ler artigos científicos disponíveis em plataformas como a PubMed ou sites de neurologia.

Se você busca uma forma natural de relaxar após um dia estressante, colocar os fones de ouvido e se entregar aos arrepios com ASMR pode ser a terapia rápida que o seu cérebro precisa.

 

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