Para quem nasceu e cresceu no Acre, atravessar a fronteira com a Bolívia sempre fez parte da vida. Antes mesmo de conhecer outras regiões do Brasil, muitos acreanos já haviam ido a Cobija, seja para compras, turismo ou simples curiosidade. O que poucos imaginam é que esse caminho tão cotidiano pode ser o início de uma das viagens mais impressionantes da América do Sul.
O Salar de Uyuni, na Bolívia, é o maior deserto de sal do mundo e pode ser alcançado a partir do Acre. Sem dúvida, um dos lugares mais extraordinários do planeta. Uma rota possível, real e cheia de significado, que conecta a Amazônia ao altiplano andino e mostra que o Acre nunca esteve isolado, mas sempre conectado ao mundo.
Cobija: o primeiro passo para além da fronteira
Cobija ocupa um lugar especial na memória dos acreanos. Para muitos, foi o primeiro contato com outro país, outra moeda, outro idioma. Essa vivência de fronteira ensina cedo que o mundo não começa apenas nos grandes aeroportos, mas também nas pontes, estradas e travessias do cotidiano.
A partir de Cobija, o viajante entra em rotas internas da Bolívia que ligam a região amazônica às grandes cidades do país. É nesse ponto que a viagem deixa de ser apenas deslocamento e se transforma em experiência cultural.
O que torna o Salar de Uyuni único
Localizado no sudoeste da Bolívia, a mais de 3.600 metros de altitude, o Salar de Uyuni impressiona pela dimensão e pelo silêncio. São mais de 10 mil quilômetros quadrados de sal contínuo, formando uma paisagem que parece infinita.
Durante o período chuvoso, uma fina lâmina de água cobre o solo e cria o famoso efeito espelho, quando céu e terra se confundem. Já na estação seca, o salar revela sua geometria perfeita, branca e hipnotizante. Em qualquer época do ano, estar ali é uma experiência que redefine a noção de espaço, tempo e escala.
Lugares próximos ao Salar de Uyuni que valem a visita
Quem chega a Uyuni costuma descobrir que o salar é apenas parte de um conjunto de paisagens únicas do altiplano boliviano. Muitos desses lugares estão incluídos em tours de dois ou três dias e ampliam ainda mais a experiência.
Ilha Incahuasi
Localizada no meio do deserto de sal, a ilha é coberta por cactos gigantes e formações rochosas. Do alto, é possível ter uma das vistas mais impressionantes do salar, especialmente ao amanhecer.
Laguna Colorada
Famosa pela coloração avermelhada de suas águas, causada por algas e minerais, abriga grandes colônias de flamingos. A combinação de cores cria um cenário difícil de descrever em palavras.
Laguna Verde
Aos pés do vulcão Licancabur, a lagoa muda de tonalidade ao longo do dia, variando entre verde e azul intenso, conforme a incidência da luz e do vento.

This is one of the most spectacular views that you will ever see. The Laguna Verde (Green Lagoon) is a salt lake in the southwest of the altiplano of Bolivia, on the Chilean border at the foot of the volcano Licancabur. Its colour is caused by sediments, containing copper minerals. It is elevated some 4,300 m (14,000 ft) above sea level.
Gêiseres Sol de Mañana
Área de intensa atividade geotérmica, com jatos de vapor e piscinas de lama borbulhante, geralmente visitada ao amanhecer, quando o contraste com o frio é ainda mais marcante.
Deserto de Siloli
Conhecido por suas formações rochosas moldadas pelo vento, como a Árvore de Pedra, apresenta uma paisagem árida e cinematográfica que contrasta fortemente com o branco do salar.
Curiosidades sobre o Salar de Uyuni
Além da paisagem impressionante, Uyuni guarda histórias que ajudam a entender por que se tornou um dos destinos mais fotografados do planeta.
Durante o período de chuvas, o salar se transforma no maior espelho natural do mundo, refletindo o céu com tanta precisão que é difícil distinguir onde termina a terra e começa o horizonte.
O local já serviu de cenário para produções cinematográficas internacionais. Entre elas, cenas da saga Star Wars, que aproveitaram o efeito espelho e a sensação de infinito para ambientar planetas fictícios.
Sob o salar está uma das maiores reservas de lítio do mundo, mineral essencial para tecnologias modernas. Esse fator coloca Uyuni no centro de debates globais sobre desenvolvimento, energia e preservação ambiental.
A ausência de referências visuais claras também desafia a percepção de distância e tamanho, o que explica as famosas fotos com brincadeiras de perspectiva feitas no local.
Rotas possíveis saindo do Acre para Uyuni
Chegar até Uyuni exige planejamento, mas é totalmente viável.
Uma das opções é a rota terrestre, saindo do Acre, cruzando a fronteira por Cobija e seguindo por estradas bolivianas até cidades como La Paz ou Sucre. O trajeto atravessa mudanças bruscas de clima e altitude, passando da floresta amazônica ao altiplano andino.
Outra possibilidade é a rota combinada, unindo estrada e avião. A partir de centros urbanos como La Paz, há voos domésticos até Uyuni, reduzindo o tempo de deslocamento e facilitando a adaptação à região.
Cada caminho oferece uma vivência diferente. E, nessa viagem, o trajeto também faz parte do destino.
Aventura, altitude e responsabilidade
Viajar para o Salar de Uyuni envolve frio intenso, altitude elevada e regiões remotas. Isso não precisa gerar medo, mas exige consciência, informação e preparo.
Por isso, muitos visitantes optam por tours organizados em veículos 4×4, conduzidos por guias locais experientes, que conhecem o território, o clima e os limites da região.
Mais do que adrenalina, essa é uma viagem que pede tempo, respeito e escuta da natureza.
O que não esquecer nessa viagem ao Salar de Uyuni
Viajar do Acre até o Salar de Uyuni é atravessar fronteiras, paisagens e altitudes. Alguns cuidados fazem toda a diferença.
Documentos
RG em bom estado, com foto atual e emitido há menos de 10 anos, ou passaporte válido. Levar cópias físicas e digitais ajuda a evitar contratempos. Comprovantes de hospedagem e roteiro também podem ser solicitados.
Vacina contra febre amarela
O Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela é recomendado. Mesmo em regiões de altitude elevada, ele pode ser solicitado na fronteira terrestre.
Saúde e proteção
Medicamentos pessoais, protetor solar, hidratante labial e óculos de sol são indispensáveis. A luminosidade no salar é intensa e o clima é extremamente seco.
Roupas adequadas
Roupas térmicas, casaco corta-vento, calçados impermeáveis, meias térmicas, gorro e luvas são importantes, especialmente à noite.
Organização
Celular com mapas offline, power bank, adaptador de tomada e dinheiro em espécie ajudam a evitar imprevistos.
Viajar com segurança também faz parte do roteiro
O Salar de Uyuni é um destino intenso, remoto e transformador. Para que a experiência seja vivida com segurança, o seguro viagem internacional é um aliado importante. Ele oferece cobertura para emergências médicas, imprevistos e situações que podem surgir fora do Brasil, permitindo que o viajante foque no que realmente importa: a jornada.
Para saber mais sobre opções de seguro viagem adequadas a esse tipo de rota, acompanhe os conteúdos da coluna Na Rota do Céu ou entre em contato comigo pelas redes sociais.
Do Acre ao infinito branco
Para muitos brasileiros, chegar a Uyuni exige longas conexões aéreas. Para quem vive no Acre, a proximidade com a Bolívia transforma o que parece distante em possível.
Sair do Acre rumo ao Salar de Uyuni é atravessar mundos. É sair da floresta e chegar ao sal. É entender que morar longe dos grandes centros não significa estar longe do mundo.
Algumas viagens começam em aeroportos.
Outras começam na fronteira.
E algumas começam exatamente onde muitos acham que tudo termina.
Sobre quem escreve
Sou Marisol Pinheiro Pontes, criada entre rios, estrada e floresta. Viajar me ensinou que conhecer o mundo não nos afasta das nossas raízes, pelo contrário, nos ajuda a reconhecê-las. Viajo como missionária há 17 anos e acredito no encontro entre culturas como caminho de consciência e transformação.
Atualmente, sou voluntária na ATINI – Voz pela Vida, atuo como consultora em seguro viagem e, nesta coluna, compartilho rotas possíveis, destinos pouco conhecidos e histórias que começam de onde estamos.
Instagram: @marisolpinheiro / @na.rota.do.ceu








