A possível saída de Marina Silva da Rede Sustentabilidade abriu um novo capítulo de incertezas dentro do partido, inclusive no Acre, onde a sigla já tem um pré-candidato ao Senado definido.
Fundadora da legenda, Marina perdeu o controle interno após o grupo ligado à deputada Heloísa Helena assumir o comando nacional. Desde então, passou a ser cortejada por partidos como Partido dos Trabalhadores, Partido Socialista Brasileiro, Partido Socialismo e Liberdade e Partido Verde, com a perspectiva de disputar o Senado por São Paulo.
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No Acre, porém, o cenário ainda é tratado com cautela.
Presidente da Rede no estado e pré-candidato ao Senado, Inácio Moreira afirmou ao ContilNet que a sigla local é inteiramente alinhada ao grupo político de Marina e não à ala que hoje controla o partido nacional.
Segundo ele, isso significa que a decisão sobre permanecer ou migrar para outra legenda dependerá exclusivamente do movimento da própria Marina.
“O que existe hoje é que no Acre não tem divisão interna. Aqui todo mundo é do grupo da Marina. Então podemos permanecer na Rede ou acompanhar para onde ela for. Isso não interfere na nossa candidatura ao Senado”, disse.
Federação e garantias políticas
Moreira também ressaltou que, dentro da federação com o PSOL, sua pré-candidatura está politicamente assegurada.
Ele afirma que a direção nacional do partido aliado considera o nome dele consolidado na disputa.
Nas palavras dele, a sinalização recebida foi direta: sua candidatura só deixaria de existir por decisão pessoal.
No campo majoritário, o dirigente diz que os partidos mais à esquerda caminham para apoiar o nome de Doutor Tó ao governo do estado, após a retirada de outras pré-candidaturas.
Nesse arranjo, a federação formada por Rede e PSOL pretende lançar dois nomes ao Senado, o próprio Inácio Moreira e Jorge Viana. Enquanto outros partidos deixaram a segunda vaga em aberto, a federação decidiu antecipar a definição.
O fator decisivo segue sendo o calendário político. Lideranças com mandato têm até abril para decidir eventuais trocas partidárias, prazo que inclui Marina.
Até lá, a Rede no Acre mantém discurso de tranquilidade, mas, nos bastidores das articulações nacionais, a saída da principal liderança do partido já é tratada como praticamente certa.
E, se isso se confirmar, o destino da legenda no estado deve seguir exatamente o mesmo caminho que Marina escolher.
