A morte de uma criança, ocorrida na última quarta-feira (18) no interior do Acre, trouxe à tona um alerta grave para as famílias acreanas: o perigo dos desafios em jogos online. Embora o caso ainda esteja sob investigação para confirmar a motivação, a Polícia Civil do Acre (PCAC) já mobiliza seu Departamento de Inteligência para dar suporte técnico ao caso.
Em conversa exclusiva com o ContilNet, o diretor de Inteligência da Polícia Civil, delegado Nilton Cesar Boscaro, explicou que a tecnologia é, muitas vezes, a porta de entrada para criminosos. “Para a criança propriamente dita, que vai até 12 anos incompletos, os jogos são um grande atrativo. Então, essa é a porta de entrada. Por isso que a gente pede para os pais redobrarem a atenção, principalmente com esses joguinhos virtuais”, afirmou.
Investigação e perícia técnica
O tablet que a criança utilizava foi apreendido e encaminhado para Rio Branco para passar por uma perícia minuciosa. Segundo o delegado, o equipamento sofreu danos no momento do ocorrido, o que exige um trabalho especializado. “Eu vou acompanhar o caso junto com a perícia. Vou levar esses equipamentos eletrônicos junto com o delegado de Sena lá na perícia. Pedir uma prioridade nessa situação para a gente poder recuperar essa tela e acessar o conteúdo desse tablet”, explicou Boscaro.
Somente após essa análise técnica será possível confirmar se houve induzimento ao suicídio. “Aí sim a gente vai poder dar maiores detalhes dessa ocorrência”, completou.

Após tragédia, delegado alerta pais sobre relação de crianças com jogos | Foto: Reprodução
O modus operandi dos criminosos no mundo virtual
O delegado detalhou como perfis mal-intencionados se aproximam de menores de idade, utilizando-se da confiança e da evolução gradual de desafios. “Os criminosos já não vão logo de cara. Eles vão conquistando a confiança e vão passando a questão do… e vai elevando o nível”, alertou.
Ele destacou que, no mundo virtual, a facilidade que as crianças têm com a tecnologia pode ser um risco se não houver supervisão. “No mundo virtual, às vezes tem algum criminoso que está também nesse mundo e está mal-intencionado e vai manter algum tipo de relacionamento social. E aí, ali é a porta de entrada. E aí a criança acaba sendo atraída pelo joguinho e ali no joguinho começa a interação”.
Monitoramento
Um dos pontos mais enfáticos da entrevista foi a necessidade de os pais superarem o receio de “invadir a privacidade” dos filhos quando o assunto é segurança. “É necessário hoje em dia que os pais acessem os dispositivos eletrônicos dos filhos e façam monitoramento das redes sociais, desses joguinhos virtuais que eles acabam utilizando ali como lazer”.
Boscaro alertou para o perigo de usar a tecnologia como uma “babá eletrônica” para acalmar as crianças. “Os pais não podem transferir essa responsabilidade de cuidar dos filhos, de estar próximo do filho, para um equipamento eletrônico, porque pode ser muito perigoso. É bom os pais não transferirem a responsabilidade”.
A Polícia Civil do Acre tem se preparado para lidar com essa nova realidade de crimes cibernéticos. O delegado mencionou que o Núcleo Especializado de Combate aos Crimes Digitais (Neciber) está em processo de atualização de suas atribuições. “Há já uma minuta que está tramitando no âmbito da gestão da polícia civil para que sejam incluídas essas atribuições em relação a esses jogos virtuais, a essa questão de possíveis instigações a suicídio com esses desafios e tudo mais. Aí nós estaremos amparados ali para poder atuar de maneira dentro do NECIBER”.
Para finalizar, o delegado sugeriu que as famílias busquem resgatar momentos presenciais. “Tentar resgatar essas brincadeiras antigas, que seja presencial, que tenha um contato físico ali. Contato físico é um contato presencial entre crianças e adolescentes, e não só no mundo virtual”, concluiu.

