Estudo aponta que 78% das áreas desmatadas no Acre podem virar lavouras de café

Estudo da Embrapa aponta que 78% das áreas já desmatadas estão aptas para cultivo

O café clonado no Acre vem se consolidando como alternativa à pecuária extensiva, especialmente em áreas degradadas, aponta Embrapa
De acordo com estudos da Embrapa, 78% das áreas já desmatadas no Acre, especialmente pastagens degradadas, são aptas para o cultivo de café robusta amazônico. Foto: Marcos Santos/Secom

O café clonado no Acre vem se consolidando como alternativa à pecuária extensiva, especialmente em áreas degradadas. Em 2025, a produção estadual dobrou, passando de 3.079 toneladas para 6.632 toneladas, um crescimento de 115,4%, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE. Em valor, o volume bruto da produção atingiu R$ 139,6 milhões, superando a produção de soja e confirmando o café como atividade econômica estratégica para o estado. As informações foram veiculadas no site Amazônia Vox.

De acordo com estudos da Embrapa, 78% das áreas já desmatadas no Acre, especialmente pastagens degradadas, são aptas para o cultivo de café robusta amazônico. A pesquisadora Aureny Maria Pereira Lunz explicou que não é necessário desmatar a floresta para implantar a cafeicultura, e que o uso de clones permite maior produtividade, rusticidade e adaptação ao clima quente e úmido da região, apresentando uma alternativa sustentável à pecuária tradicional.

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Produtores locais já têm colhido os frutos dessa transição. A família Lara, de Acrelândia, deixou de lado a pecuária e adotou o café clonado, elevando a produtividade de 15–20 sacas por hectare para 152 sacas na última safra, ao mesmo tempo em que mantém a família no campo e abastece outros produtores com mudas clonais de alta qualidade.

O acesso a crédito também impulsiona a expansão da cafeicultura. O jovem produtor Lucas Rocha Schereiber, de 26 anos, conseguiu investir em irrigação, adubação e estrutura produtiva após financiamento pelo Sicredi, o que permitiu ampliar sua produção em 12 hectares e gerar 1,2 mil sacas de café. Ele ressalta que o apoio financeiro é decisivo, mas que exige responsabilidade e planejamento para que o investimento se torne sustentável no longo prazo.

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