Existe criança ruim? Psicóloga explica por que o comportamento infantil não deve ser rotulado

Em conversa com o ContilNet, especialista em neuropsicologia afirma que atitudes difíceis são formas de comunicação emocional e reforça o papel do adulto no desenvolvimento infantil

A pergunta “existe criança ruim?” é mais comum do que parece e costuma surgir diante de comportamentos considerados difíceis ou desafiadores. Em conversa com o ContilNet, a psicóloga clínica e especialista em neuropsicologia Fernanda Saab foi categórica ao responder.

Psicóloga clínica e especialista em neuropsicologia Fernanda Saab

Psicóloga clínica e especialista em neuropsicologia Fernanda Saab/Foto: Cedida

“Não existe criança ruim. O que existe são crianças em processo de desenvolvimento, tentando lidar com emoções que ainda não sabem compreender nem expressar”, afirmou.

Segundo a profissional, a criança não nasce sabendo controlar impulsos, frustrações ou sentimentos intensos, e esse aprendizado acontece ao longo do tempo, principalmente por meio da convivência com os adultos. “Isso é algo que a criança aprende, e aprende com o adulto”, explicou.

Existe criança ruim? Psicóloga explica por que o comportamento infantil não deve ser rotulado

Existe criança ruim? Psicóloga explica por que o comportamento infantil não deve ser rotulado/Foto: Adrian McDonald

A psicóloga ressaltou que comportamentos agressivos, impulsivos ou desafiadores não definem quem a criança é, mas sim o que ela está sentindo ou vivendo naquele momento. “Muitas vezes, esse comportamento é a única forma que a criança encontra para dizer: ‘eu não estou bem’ ou ‘eu preciso de ajuda’”, pontuou.

Para Fernanda Saab, é fundamental compreender que o comportamento infantil funciona como uma linguagem. “Comportamento é linguagem. Antes de rotular uma criança, precisamos escutá-la, mesmo quando ela não usa palavras”, destacou.

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Ela também reforçou que a mudança de postura dos adultos é determinante no processo educativo. “A pergunta que realmente nos ajuda não é ‘o que há de errado com essa criança?’, mas sim ‘o que está acontecendo com essa criança?’”, disse. “Quando o adulto muda o olhar, muda a forma de agir. E quando o adulto muda, a criança também muda.”

Na avaliação da especialista, educar vai muito além de corrigir condutas. “Educar não é corrigir alguém que seria ‘ruim’. Educar é acompanhar, orientar e cuidar de alguém que ainda está aprendendo a ser gente”, concluiu. “Toda criança que dá trabalho, na verdade, está com trabalho por dentro.”

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